Portugal e a sua participação no Mundial de Ultra Trail: «A estratégia da equipa ficou algo comprometida devido a alguns imprevistos»

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A partir de hoje e nos próximos dois dias, «A SEMANA DO MUNDIAL DE TRAIL» centra-se em José Santos, presidente da ATRP na altura do Campeonato do Mundo e atual vice-presidente da ITRA. Abordaremos a participação dos atletas nacionais, o que falhou na participação nacional, a lesão de Carlos Sá, a indisposição de Ester Alves, o modo de seleção para os Mundiais, a polémica criada ao redor da prova, com alguns dos principais nomes da modalidade a rejeitarem a corrida. E mais, muito mais…

 

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Portugal participou pela primeira vez no Mundial de Trail Running. Qual a importância desta participação para a modalidade?
A importância é grande a vários níveis: para a ATRP-Associação de Trail Running de Portugal, porque representou o culminar de um trabalho de equipa no sentido de serem criadas as condições necessárias para os nossos melhores atletas poderem participar nas grandes competições internacionais oficiais da modalidade. Era um dos nossos objetivos quando fundámos a associação em Setembro de 2012, agora conseguido; para os atletas porque finalmente podem expressar a sua qualidade e usufruir da experiência única que é competir com os melhores atletas do Mundo, envergando as cores nacionais e representando o seu país; para a modalidade como um todo pela visibilidade acrescida que lhe traz.

Porque decidiram participar este ano no Mundial? E porque não aconteceu no passado?
A ATRP foi fundada, como já referido, apenas em Setembro de 2012, tendo os primeiros circuitos nacionais de Trails sido implementados na época competitiva de 2013. Os critérios de seleção dos nossos atletas para estas provas estão diretamente ligados, como se sabe, aos resultados obtidos nestes Circuitos, pelo que apenas em 2014 estávamos em condições de participar. Acontece que os Campeonatos do Mundo desse ano foram cancelados por decisão da entidade que à data estava comissionada pela IAAF para a organização deste evento. Por essa razão, 2015 foi o primeiro ano em que a nossa participação foi possível.

Como avalia a participação nacional, tanto a feminina como a masculina? A classificação final foi ao encontro das vossas expetativas?
Do ponto de vista dos resultados desportivos, a classificação obtida ficou abaixo das nossas expectativas. Contávamos que tanto a equipa masculina como a feminina se classificassem no Top 10, mas acabámos por obter o 19.º lugar em masculinos e o 13.º em femininos, o que também não deslustra esta nossa primeira participação, considerando que estavam 39 seleções em competição e que muitas delas não conseguiram sequer classificar a respetiva equipa devido às desistências provocadas pela dureza da prova.

Poderia falar sobre a prova? Qual foi a estratégia da equipa? Como decorreu? Contratempos? Etc.?
A prova é sem dúvida muito bonita do ponto de vista cénico e não é sem razão que Annecy é considerada a “Veneza dos Alpes”. Mas, em simultâneo, é muito dura em virtude da distância e do desnível acumulado. Quanto à estratégia da equipa, acabou por ficar de algo comprometida devido a alguns imprevistos, como a ausência do nosso mais credenciado atleta, o Carlos Sá, como as dificuldades sentidas por atletas de quem, à partida, também se esperaria uma boa performance, nomeadamente o Nuno Silva e a Ester Alves.
Também a Lucinda Sousa (leia aqui a entrevista) teve o azar de ser empurrada na confusão da partida e de se ter aleijado com alguma gravidade nos joelhos (sabe-se agora, através de exames realizados em Portugal, que fez uma fissura na rótula do joelho direito), o que condicionou a sua prova, não a impedindo contudo de, com grande espírito de sacrifício, ter sido a primeira atleta portuguesa a cortar a meta.
Quer a Susana Simões quer a Júlia Conceição fizeram também uma excelente prova, demonstrando igualmente um espírito de sacrifício assinalável no sentido de concluírem a prova e assim podermos fechar a equipa feminina, uma vez que a Ester Alves se viu forçada a desistir por não se encontrar nas melhores condições físicas.
No lado masculino também devo salientar a excelente prova do Hélder Ferreira (que foi o melhor português) e do Luís Mota. Os tomarenseses estarão certamente orgulhosos da prestação dos seus filhos da terra. O Nuno Silva, que não se encontrava nas melhores condições físicas, acabou por fechar a equipa com sacrifício, possibilitando também a nossa classificação coletiva.

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Pedro Alves

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