Pedro Castro: «Foi a corrida que me apresentou o Carlos Lopes, que me levou a concluir um Ironman e a Maratona de Nova Iorque»

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Maratonista e fundador da «Run With Castro», Pedro Castro revelou parte da sua brilhante história no livro «Vontade de Ferro» (edição Lua-de-Papel com sessão de autógrafos no dia 14 de junho, às 17h00, na Feira do Livro de Lisboa – Praça LeYa), uma obra que revela como um nadador que chegou aos 98 kg mudou por completo a sua vida devido a corrida, fundando inclusive uma associação de solidariedade. A partir desta segunda-feira, começamos «A SEMANA PEDRO CASTRO».

 

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Deixar 98 kg para trás, correr a Maratona de Nova Iorque, ter um livro com o prefácio assinado por Carlos Lopes, concluir um Ironman, fundar a Run with Castro… O que o enche mais de orgulho?
Estão todos interligado e é dificil escolher apenas um. No entanto, por parodoxal que possa parecer, diria antes que aquilo que me enche mais de orgulho foi o facto de ter sido consequente com a decisão que um dia tomei: começar a correr, para mudar a minha vida! Foi a corrida que me devolveu a saúde, foi a corrida que me apresentou o Carlos Lopes e foi também a corrida que me levou a concluir um Ironman e a Nunca desisti e a corrida acabou por mudar a minha vida. Maratona de Nova Iorque, cidade onde vivi uma experiência indescritível, quando o Furacão Sandy apareceu em 2012, que me inspirou para fundar a Run with Castro e, desde então, passar a correr sempre por uma causa!

Natação, depois corrida. Há alguma proximidade entre estes dois desportos? O que os aproxima?
A natação é uma modalidade extremamente técnica e que carece de acompanhamento profissional para se poder praticar. Ninguém nasce ensinado a nadar, ao passo que somos Nascidos para Correr, como defende aliás o Christopher McDougall no seu livro bestseller com o mesmo nome. São desportos complementares e existem benefícios se forem praticados de forma cruzada (o chamado cross training), tanto a nível cardiovascular como muscular. No meu caso o que os aproximou foi a bronquite asmática: quando era miúdo eu gostava era de correr, mas a doença levou‑me para a natação.

De que sente saudades do seu tempo da natação?
Sobretudo da competição, das provas, daquela adrenalina que se sente no bloco da partida, naqueles instantes antes do apito para o início da prova, quando o juiz diz: “Aos seus lugares!”.

Devido ao sedentarismo, engordou até aos 98 kg. Desculpou-se com os “estudos” e o “trabalho” para deixar de vez a vida ativa?
Não, não foi uma desculpa. Numa primeira fase soube-me mesmo bem parar com a natação. Tinham sido cerca de doze anos com treinos bi-diários e tive a consciência clara de que a minha vida não passava por ali, quer como atleta (após falhar a qualificação para os Jogos Olimpicos de 1992) quer como eventualmente treinador. Por isso, dediquei-me a estudar. Numa fase posterior, quando comecei a trabalhar, estava tão absorvido pela minha actividade profissional que o exercício físico não era sequer uma prioridade. Até que chegou o dia em que finalmente percebi que, para trabalhar, também precisava de saúde.

 

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Na sua opinião, porque os desportistas, em geral, acabam por engordar quando deixam o desporto federado/profissional? O corpo pede um merecido descanso?
Acho que sim, comigo foi exactamente isso que se passou. Depois dos tais 12 anos a nadar (às vezes interrogo-me quantos quilómetros terei nadado ao longo de todos aqueles anos…), o corpo pediu-me descanso e eu dei-lhe. A cessação do treino deveria ter sido acompanhada por uma alteração dos hábitos alimentares, mas isso não aconteceu, continuei a comer tudo quanto queria. Infelizmente, isto é algo que acontece frequentemente quando os desportistas deixam de praticar desporto federado, algo que o meu treinador, Nuno Barradas, aborda no livro Vontade de Ferro. Ele considera que a redução ou a paragem total da actividade fisica provoca uma queda abrupta da tolerância ao esforço, com consequentes alterações metabólicas que tornam o organismo menos eficiente na produção de energia e, por isso, com mais apetência para incrementar a sua percentagem de massa gorda.

E como devemos enganar essa “preguiça” corporal?
É fundamental arranjar disponibilidade e motivação para manter um nível mínimo de actividade física que impeça a tal paragem total. Sugiro a corrida de manhã cedo, duas vezes por semana, mantendo, se possível, alguns objectivos desportivos, como por exemplo uma prova de dez quilómetros de tempos a tempos.

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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