Paulo Caparica Grelhas: «O nevoeiro foi a minha principal dificuldade»

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«A Semana do “Eu corri 866 km e sobrevivi”» chega ao fim com Paulo Caparica Grelhas, legionário português que mora em França há 27 anos. Tal como João Oliveira, também participou na recente TransPyrenea, prova com um desnível positivo de 65 mil metros.

 

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Como teve conhecimento da TransPyrenea?
Tive conhecimento da TransPyrenea pela internet, mas também acabo por ter conhecimento da existência destas provas por outros participantes. Como estou interessado em participar deste tipo de desafios, procuro sempre saber o que existe no meio.

E porque decidiu correr a prova?
Decidi correr porque era um desafio diferente dos outros que já tinha feito. O que me fascina neste tipo de provas é o desafio de conseguir ultrapassar as dificuldades, os meus próprios limites.

Como se prepara para uma prova destas caraterísticas? O que é fundamental? Como foi o seu treino?
Trabalhei essencialmente a resistência e o reforço muscular. Resumidamente, treinei seis dias por semana: em quatro deles fiz ciclismo e atletismo (de manhã e à noite, para reforço muscular); uma vez por semana fiz piscina; e, no fim-de-semana, na montanha para habituar o organismo à altitude. Na minha opinião, o fundamental nestas provas é a resistência.

Qual a sua principal preocupação?
A organização da mesma, ou seja, o material necessário que tinha de levar, onde descansar, a comida, a água para o dia-a-dia.

E a estratégia, como foi?
A estratégia utilizada resumiu-se a ter o material necessário no meu saco para poder ficar em qualquer sítio, no terreno. Eu tinha como objetivo fazer entre 53 e 55 km por dia, sem ter necessidade de recorrer ao ponto de controlo.

E pensou em desistir em algum momento?
A corrida correu bem, pois não tive qualquer tipo de problema. Portanto, nunca pensei em desistir.

paulocaparicas1Como foi o relacionamento entre os atletas?
O relacionamento entre os atletas foi ótimo. Criaram-se laços de amizade fortes, um grande espírito de entreajuda e de partilha, principalmente ao nível emocional.

Correu a prova sozinho ou procurou sempre ter companhia?
Corri sozinho grande parte da prova.

Qual foi a sua maior dificuldade?
Foi um nevoeiro, quando tive de me adaptar para poder continuar. Foi a dificuldade que mais me surpreendeu. De resto, não tive mais problemas nenhuns.

Qual o momento que não esquece da corrida?
O momento que eu não esqueço foi a chegada à Hendaya.

E problema físico, algum especial, tanto durante como depois?
Não tive nenhum problema físico, felizmente.

Esta foi a “vitória” mais especial da sua carreira de corredor?
Sem dúvida, esta foi a vitória mais especial da minha carreira de corredor.

E qual o segredo para sermos um bom corredor de Ultra Trail?
Não há dúvidas: o psicológico.

E que lições a TransPyrenea deixou para a sua vida?
A lição que esta prova deixou foi que nós podemos fazer aquilo que queremos e propomos. Temos apenas de encontrar a melhor maneira de ultrapassar os nossos obstáculos, sem desesperar, escutando sempre o nosso corpo e a nossa mente para podermos chegar à conclusão do objetivo.

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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