Olívia de Sousa: «Acho que já não conseguiria viver sem o Trail»

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Olívia de Sousa (Associação Desportiva Galomar/ Farmácia do Caniço), de 36 anos, natural da Austrália mas com nacionalidade portuguesa, vai representar Portugal nos Mundiais de Trail, que será realizado no nosso país no Parque Nacional Peneda-Gerês (85 km, com um desnível positivo de 4500 metros). A viver na cidade do Caniço, na ilha da Madeira, desde os seus 4 anos, a atleta garantiu a sua presença no Campeonato do Mundo no MIUT. Dividida em três partes, a atleta que vai representar as cores nacionais a 29 de outubro fala nesta entrevista sobre a importância do Trail para a sua vida, o MIUT e o que significa para si vestir a camisola da seleção nacional.

 

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Corre há quantos anos?
Sensivelmente corro há três anos.

E começou no asfalto e fez a passagem para o trail?
Comecei a correr para fazer exercício e porque sempre gostei. Corria na promenade perto da minha casa, sem subidas ou descidas. Depois, vários amigos incentivaram-me a participar em provas de Trail, por acharem que eu ia gostar. Essa ideia assustava-me, até porque achava que não tinha perfil competitivo. No entanto, decidi arriscar e preparei-me para fazer o meu primeiro Trail, que foi o Trail de Machico (21 km), em julho de 2013. Foi nessa prova que o “bichinho” do Trail pegou à séria.
Um ano e três meses depois de ter começado a fazer Trail, passei para o asfalto. Fiz a minha primeira prova de estrada em outubro de 2014.
Uns meses antes, aceitei ser treinada por um amigo meu e a integrar a equipa de que ele fazia parte, a Associação Desportiva e Cultural do Jardim da Serra. Uma equipa que representava, orgulhosamente, quando fazia provas de estrada.
No entanto, o meu coração estava no Trail. Ainda consegui complementar as provas de Trail com algumas de estrada, mas depois tive que optar e decidi dedicar-me exclusivamente ao Trail.

E o que é o Trail para si?
Para mim o Trail é uma filosofia de vida, é o sítio onde me perco e me encontro, onde reside o meu equilíbrio. É onde a minha alma vibra e se regozija e onde encontro a felicidade. Acho que já não conseguiria viver sem o Trail.
Frequentei os escuteiros dos 6 aos 18 anos e o meu vínculo à Natureza sempre esteve bem presente.
A verdade é que sentia falta dos cheiros, cores e paisagens naturais. Quando participei no meu primeiro Trail, reencontrei todas essas sensações e nunca mais quis deixar.
Acho que, nos dias que correm, tudo aquilo que nos afaste do digital é uma mais-valia. Hoje vivemos aprisionados numa espiral… Casa, trabalho, stresse, telemóvel, redes sociais… O Trail é liberdade! Treinar na serra é desligar-se do mundo, é estabelecer uma ponte direta entre o Eu e a Natureza. É gratidão, é valorizar as coisas mais simples da vida, é paz de espírito…

olivia1Quais os seus principais resultados?
Foram diversas as provas em que participei. Umas mais curtas, outras mais longas. O Trail do Porto da Cruz em 2014 foi a minha primeira Ultra. Esta prova marcou-me porque foi nessa altura que percebi que as provas maiores eram aquelas de que gostava mais e onde me sentia mais realizada… «If you want to run, run a mile. If you want to experience a different life, run a marathon. If you want to talk to God, run an ultra.»
A partir dessa altura, comecei a participar nas Ultras. Saliento a Ultra SkyMarathon, de 59 km, onde foi possível alcançar o terceiro lugar do campeonato nacional de Ultra SkyMarathon.
No ano seguinte, em 2015, fiz várias provas, tendo ido ao pódio em todas elas. No MIUT 85 Km fui a quinta mulher da geral. Em julho participei na segunda edição do Ultra SkyMarathon 55 km e revalidei o terceiro lugar do Campeonato Nacional de Ultra SkyMarathon. Em setembro participei na Skyrace e alcancei o segundo lugar no Campeonato Nacional e Regional de Skyrace. Em outubro fiz mais uma prova de 80 km, o Réccua Douro Ultra Trail. Terminei a prova em 10h52, em segundo lugar da geral feminina.

E qual a prova que recorda sempre?
Há duas provas que nunca vou esquecer. A primeira é o MIUT 85 km porque foi a prova que me custou mais fazer até hoje e por ter tido uma excelente recuperação durante a prova e ter conseguido o resultado que consegui.
A segunda é o Réccua Douro Ultra Trail. Nunca vou esquecer, por diversas razões. Por ter sido a minha primeira prova fora da ilha da Madeira; pelo resultado alcançado; pelas paisagens que vi e que ainda hoje estão registadas na minha memória; pela organização fantástica e pelas amizades e laços que criei. Senti-me super acarinhada e há algo que nunca vou esquecer. Estava já a terminar a prova e a atravessar a ciclovia da Régua e consegui ouvir o meu nome a ser pronunciado nos microfones do Museu do Douro. Foi uma sensação única e emocionante. Regressei à ilha de alma cheia.

E qual a prova que um dia gostaria de disputar?
A prova que, para mim, seria um sonho disputar o Campeonato do Mundo no Gerês. É um sonho tornado realidade. Outra seria o Ultra Trail Austrália, por ser realizada no meu país natal.

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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