«Nunca se percebe bem do que as pessoas dizem quando referem que o espírito do Trail já não é o que era»

Tiago Martins Aires aborda no segundo dia alguns “erros” que cometeu no Mundial de Trail realizado em Portugal. Mas também analisa o Campeonato Nacional da modalidade. Na opinião do atleta apoiado pelo Galo Resort Hotels, o campeão nacional deveria ser decidido numa única prova.

 

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O Mundial foi o ponto mais alto do ano, inclusive da sua carreira?
Talvez… Já fui campeão latino de elite na Orientação, campeão nacional por 11 vezes e ibérico por três vezes, mas este evento teve uma dimensão e uma intensidade que o torna o ponto alto da minha carreira. O 13.º lugar a correr em casa num percurso tão desafiante e onde tive oportunidade de estar lado a lado com alguns dos melhores atletas do mundo foi algo que me fez mudar o chip e acreditar no futuro…

E alteraria algo no seu desempenho? O que mudaria se pudesse recuar no tempo?
Mudaria muitos aspetos. Tenho aprendido muito mas infelizmente no endurance há fatores que só se conseguem limar e corrigir participando em provas, pelo que a experiencia é importante. Aspetos alimentares são sempre detalhes de grande importância que tenho de superar e não posso voltar a esquecer-me dos bastões (risos).

 

 

Como analisa o Trail no nosso país? Quais os caminhos que deve seguir? Os problemas urgentes a resolver?
Acredito que o Trail, apesar de ser um desporto de massas nesta fase, não está ainda totalmente preparado para o alto rendimento. Nas provas temos classificação, campeonatos, rankings, seleções, etc., mas parece que fica mal dizermos que queremos ter melhores condições, lutarmos por chegar ao topo ou dedicarmo-nos. Ouço muitas vezes as pessoas falarem de que o espírito já não é o que era, mas nunca se percebe bem do que estamos a falar. É fantástico o Trail ser um desporto de massas, mas também penso que seria desejado termos escalões jovens com percursos adaptados bem como rankings coletivos femininos. Existem muitas marcas a ganhar bom dinheiro com o Trail mas não estão interessadas em apoiar verdadeiramente os melhores atletas.

O calendário do Campeonato Nacional é adequado para a modalidade? Por exemplo, há excesso de provas, estão muito concentradas em determinadas regiões, etc.
É obvio que existem muitas provas, isso parece-me normal tendo em conta a enorme procura que existe. Não vejo no número um problema, mas sim nas provas que pertencem ao Campeonato Nacional. Do meu ponto de vista o Campeonato Nacional deveria ser feito em apenas um dia, num evento onde deveriam estar todos os melhores atletas. Acredito que, deste modo, aumentaríamos a competitividade e permitiria aos atletas disputar os campeonatos internacionais. E ainda, se quisessem, poderiam tentar vencer os três campeonatos nacionais, já que também era possível.

 

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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