João Oliveira: «Portugal vive num mundo virado para o futebol»

João Oliveira revela no segundo dia d´«A Semana “A meta é uma questão mental”» que é natural para ele não ter muitas pessoas na linha de meta numa prova de Ultramaratona, admitindo que é cansativo para o público esperar os corredores, que chegam com intervalos muito grandes entre eles.

 

Mas, como corredor, é frustrante terminar desse modo ou é algo natural, já que é complicado controlar o tempo em provas com estas caraterísticas?
Para mim é natural. Desde o início que me acostumei que, nas Ultras, as metas são assim. Podem ter até algumas pessoas a apoiar na chegada, umas 15 ou 20, no máximo, mas pouco mais do que isso. Também temos de reconhecer que, para quem está na meta à espera da chegada dos atletas, é algo um pouco cansativo. São provas muito longas e os atletas chegam lentamente, uns atrás dos outros, muitas vezes com intervalos de 1, 2 ou 3 horas de diferença.

No entanto, acredita que as organizações dessas provas podem melhorar esse aspeto? Na sua opinião, o que podem fazer em concreto?
Na minha opinião, a organização da PT281 esteve muito bem. Tenho conhecimento de que a população local sabia da existência da prova e que a mesma estava a decorrer. A corrida foi publicitada na imprensa local para o conhecimento da população. Infelizmente, Portugal vive ainda num mundo somente virado para o futebol. Todo o resto é paisagem que ninguém perde tempo a observar.

 

João Oliveira destaca o calor na PT281
João Oliveira destaca o calor como um dos pontos diferenciais da PT281

 

O que tem de especial a PT281 em comparação com as provas estrangeiras?
Posso dizer por experiência que a PT281, em comparação com as provas estrangeiras, pode ser classificada como uma prova bastante difícil. Não digo pela distância em si, mas por dois fatores: o local de terreno onde a prova se desenrola e o calor que se faz sentir. O que a torna especial é cativante aos amantes desta modalidade. A prova este ano chegou a atingir 47 graus na sexta-feira e no sábado de manhã. Segundo disseram os fotógrafos que estavam a minha espera, quando cheguei a Castelo Branco estavam ainda 43 graus…

 

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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