“Movimento feminista” luta contra discriminação de género nos escalões

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Uma das organizadoras de provas do nosso país, como o Ultra Trail Serra da Freita (UTSF), o Ultra Trail Geira Romana e o Trail do Lidador, Flor Madureira é o rosto de um novo movimento nas redes sociais, um movimento que visa pela igualdade de género nas provas. Embora de forma ainda baixa, o “grito de revolta” já começa a ser ouvido…

 

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Na primeira edição do Trail do Lidador, uma atleta de 50 anos reclamou com a organização, pedindo que houvesse um escalão para a sua idade, já que o mesmo acontecia para os homens. «De imediato corrigimos o regulamento e a verdade é que a atleta veio participar», refere Flor Madureira, que aborda nesta entrevista o que pretende com esta posição no Mundo da Corrida.

Desde quando começou a sua luta contra a desigualdade de género nas provas de corrida em Portugal?
A minha chamada de atenção para este assunto já tem dois anos. De forma pública iniciou-se na Maratona do Porto. Por exemplo: já não participo na S. Silvestre do Porto, Volta a Paranhos e Meia-maratona Manuela Machado de há dois a esta parte.

E porque decidiu agora iniciar este “grito de revolta” público, já que a desigualdade de género não é de hoje?
O meu “grito de revolta” iniciou-se agora por verificar que o número de mulheres a participar em provas de atletismo/trail aumentou substancialmente nos últimos anos.

Encontra alguma justificação para essa posição por parte dos organizadores? Como explica essa desigualdade, quando cada vez mais há mulheres a competir, como referiu?
Curiosamente, parte destes organizadores já foram alertados por várias mulheres ao longo do tempo. Infelizmente, elas reclamam mas continuam a participar nas provas, o que faz com que os organizadores façam ouvidos moucos. Depois, como as queixas são sempre em privado, não se sentem obrigados publicamente a fazer qualquer mudança.

Se olharmos para o calendário nacional, constamos que algumas provas são organizadas por mulheres e que elas próprias apresentam prémios e classificações diferenciados. O que pensa disso?
Fico muito triste, ainda mais quando algumas delas foram corredores de topo. As suas mentes, infelizmente, continuam paradas no tempo. Mas tenho de constatar também que esta descriminação verifica-se muito mais nas provas de estrada do que no trail.

Estamos perante um movimento feminista da corrida?
Sim, pela minha parte sim. Estou a tentar encabeçar um movimento feminista. É com satisfação que recebo mensagens de mulheres que costumam correr que já começaram a tomar uma posição. Inclusive, algumas já não se inscrevem em provas onde não há uma igualdade de escalões e outras exibem slogans sobre o assunto enquanto correm. São apenas duas posições que podemos ter.

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Como vê o papel dos patrocinadores? Acredita que devem estar indiferentes a esta problemática? Até que ponto podem ter uma influência nesta mudança de atitude?
Se sensibilizarmos os patrocinadores para esta desigualdade, acredito que estes poderão fazer pressão sobre os organizadores. Por exemplo, a EDP: não deve ser muito agradável para a empresa saber que há muitas mulheres a contestar um evento em que eles são o rosto da prova…

Acredita que, um dia, essa igualdade de géneros acontecerá?
Acredito, embora tenha de haver uma maior união das mulheres, que terão de se unir e “lutar” para tal acontecer. A melhor forma de luta será não participarem nessas provas, manifestarem-se nas redes sociais e, de uma forma mais direta, falar com as organizações alertando para esta descriminação.

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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