Como correr menos km por semana e alcançar mesmo assim o melhor tempo em três anos

 

Na sua terceira participação na Marathon du Mont Blanc, Miguel Reis e Silva alcançou o seu melhor tempo, apesar de ter treinado menos tempo em relação aos seus anos anteriores devido a questões pessoais, académicas e profissionais. Como é possível? Devido a alimentação. O português revela ainda como foi a prova, além de explicar os motivos que fazem com que, todos os anos, regresse a mágica Chamonix.

 

Partilhe pelos amigos e faça um LIKE na nossa página. Obrigado!

 

Ficou surpreso com o seu resultado, já que, devido ao Doutoramento, o seu treino não foi o ideal?
De facto, por diversos motivos, não tenho tido muito tempo disponível e nem sequer tenho conseguido treinar com uma frequência diária, o que tem resultado em volumes inferiores a 70 km/semana. Consequentemente, nunca pensei melhorar os tempos dos anos anteriores.

Ou seja, não esperava alcançar o seu recorde pessoal?
Nunca! Queria apenas fazer uma prova regular.

Poderia resumir a sua prova, a estratégia utlizada?
Conhecendo as minhas condicionantes, parti de forma conservadora, mantendo um ritmo confortável. Cheguei ao final da zona menos acidentada em 16.º lugar. A partir do km 30, na secção mais dura e técnica, tentei não me acomodar e manter um bom ritmo até o final, tendo apenas perdido um lugar nesse trecho. Foi nesta secção que os melhores atletas fizeram a diferença.

Esta foi a sua terceira participação na prova. O que ela tem de especial?
Chamonix é dos locais mais belos que conheço. Trata-se de uma prova no coração dos Alpes, organizada por um clube com mais de 100 anos de história e que, felizmente, ainda não se tornou demasiadamente comercial.

Como caraterizaria a Marathon du Mont Blanc? É muito complicada em termos técnicos?
Os primeiros 17 km têm apenas um D+600m e os ritmos são alucinantes. Segue-se a subida e descida (D+1000m) a Col des Posettes. A verdadeira prova começa aos 30 km, com um percurso duro e técnico.

Qual a magia de Chamonix?
Chamonix é uma cidade que existe por causa da montanha e vive para a montanha, situando-se num vale rodeado de picos acima de 3000m. No final de cada tarde, alpinistas, ciclistas, corredores, esquiadores, etc. reúnem-se na cidade para falar das aventuras do dia, num ambiente único. Em Chamonix sinto-me numa realidade diferente, em que os cumes, vales e ribeiros dominam as ações e conversas do dia-a-dia, não deixando espaço para sequer nos lembrarmos dos “problemas” da vida real.

Que conselhos daria para um corredor interessado em correr a prova?
Que se inscrevam no sorteio e antecipem uma prova intensa. O vencedor tem que ser um atleta completo e dominar tanto terreno plano como íngreme e técnico.

 

miguelreis1
«Marathon du Mont Blanc – 43,5km, D+2700m, 4’29, 21lugar. Apresentei-me a treinar 70km/semana, por constrangimentos da vida diária, contrariamente aos +140km/semana dos últimos anos. Por mais incrível que pareça, melhorei o meu melhor tempo em 14min, num percurso mais duro que o ano passado. Senti-me como nunca em prova, resultado de simples alterações de rotinas por uma intolerância alimentar que me tem afectado. Venha a próxima!», escreveu o português na sua página do Facebook

 

Para quando a sua participação na prova dos 80 km?
Tenho curiosidade em experimentar uma ultra, como um desafio pessoal, mas a experiência ainda não se proporcionou. Gosto muito da distância da maratona em montanha, sinto que ainda posso evoluir e é com alguma surpresa que frequentemente sou confrontado com a ideia de que as maratonas são uma prova “menor” relativamente às distâncias mais longas. São competições totalmente distintas. É uma ideia tão absurda como dizer que um atleta de 10.000 m é mais relevante que um de 800 m porque a distância é maior.

Como está a sua preparação para os Campeonatos do Mundo de Skyrunning? O que espera alcançar?
Toda esta experiência foi uma surpresa para mim. Inicialmente queria fazer apenas um resultado regular. No entanto, há cerca de um mês, concluí que muitos dos sintomas que têm afectado os meus treinos e provas (como o Estrela Grande Trail) poderiam ser resultado de uma intolerância alimentar. Mudei algumas rotinas e tenho-me sentido extremamente bem, tendo a prova deste fim de semana sido a confirmação absoluta. Neste momento estou entusiasmado e curioso para ver onde consigo chegar até o final da época.

Gostaste do artigo? Faz Gosto ou Partilha com os teus amigos!
Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

Gostou? Partilhe pelos amigos