Mary Vieira: «No Trail não há a parte coletiva em detrimento da individual»

Segunda melhor atleta nacional no Mundial de Trail, Mary Vieira defende que, mesmo num Campeonato do Mundo, há em primeiro lugar as ambições individuais, relegando as estratégias coletivas para “segundo plano”, por exemplo, quando se pondera desistir…

 

Qual foi a estratégia da prova a nível de grupo?
Não houve estratégia.

Mas foi complicado ter presente em primeiro lugar a parte coletiva em detrimento da individual?
Não houve tática e, na minha opinião, no Trail, não há a parte coletiva em detrimento da individual. O que há é dar o melhor a nível individual e fazer as contas no final. O Trail não é um desporto coletivo, mas um desporto individual. Não acredito que nenhum atleta durante a prova do Campeonato do Mundo fosse a pensar na prova do colega de equipa. Cada um vai focado na sua prova e em dar o melhor, só assim faz sentido. No final, se chegar para um bom resultado coletivo, é a cereja no topo do bolo. O resultado da equipa é o conjunto das melhores prestações individuais. Na minha opinião só se pensa na parte coletiva quando se pondera desistir, aí é diferente, não sabemos se há mais atletas nas mesmas condições e continuamos pela equipa.

Mary Vieira destaca o excelente clima na seleção nacional no Mundial de Trail

Acredita que Portugal poderia ter ido mais longe?
Muito positiva, tanto a nível feminino como masculino. Temos que ter a noção de que competimos com muitos profissionais, embora queiramos sempre mais. Se as coisas tivessem corrido como planeadas, talvez, a nível masculino, a classificação tivesse sido outra, mas o Trail é mesmo assim. Com certeza que o trabalho de muitos não se refletiu nos resultados obtidos.

O que poderia falar sobre os restantes membros da selecção?
Que, independentemente da classificação de cada um, todos deram o máximo e todos trabalharam imenso para se apresentarem na melhor forma.

A foto da equipa portuguesa no Mundial de Trail
A foto da equipa portuguesa no Mundial de Trail

Como foi o convívio entre vocês, por exemplo?
O convívio foi excelente. Infelizmente, não consegui estar presente no estágio, mas quando cheguei fui muito bem recebida. Obviamente que acabamos por conviver mais com uns do que com outros, faz parte. Seja nas refeições ou mesmo com quem partilhamos o quarto, acabamos por criar uma afinidade maior.

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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