Luís Pereira: «A Wings for Life World Run é a uma prova “o último a cair”»

Luís Pereira foi o grande vencedor da etapa de Taiwan da Wings for Life World Run. No total, o português correu cerca de 58 quilómetros, estabelecendo um novo registo no país. O português refere que não foi fácil ser “o último a cair” e que apenas não comemorou em pleno o triunfo devido ao resultado de Elisabete Pereira, vencedora e recordista da edição do ano passado da Wings for Life World Run em Valência.

 

Escreveu na sua página do Facebook que tinha a certeza de que venceria a etapa da Wings for Life World Run de Taiwan. Porquê?
Escrevi-o e espero não ter sido incompreendido. Não escrevi por arrogância, mas acima de tudo porque tinha a confiança necessária no meu treino, treinador e grupo de treino e a compreensão de que, com cabeça fria, iria conseguir ultrapassar o desafio acrescido, que era correr com condições não próprias para o rendimento.
Mas obviamente sabia que não iria ser fácil.
O muito calor, a muita humidade, algum vento, o correr pela noite dentro com um jet lag tremendo fizeram crescer o desafio, ao qual se juntaram um bom conjunto de atletas nos quais se encontrava o vencedor da edição do ano passado da Rússia, com uma marca fantástica, acima de 70km, e outros tantos de grande valor.

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E ficou satisfeito com o seu resultado final ou esperava correr mais alguns quilómetros?
Pessoalmente não poderia ter ficado mais satisfeito com o desenrolar da prova, se bem que gostaria de ter feito uma marca melhor. Mas, devido às condições que antes referi, seria muito difícil superar o alcançado.
Mesmo assim estabeleci um novo recorde do percurso, correndo sozinho 1/3 deste e em quebra notória.
Refiro no entanto pessoalmente porque vim em conjunto com a Elisabete Pereira, vencedora e recordista da edição do ano passado da Wings for Life World Run em Valência. Só poderia ficar plenamente “satisfeito” se fizéssemos os dois o pleno, tendo ela ficado na sexta posição, ainda a recuperar de uma lesão complicada de lidar.

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Não sendo um triunfo numa prova “normal”, qual a importância desta vitória na sua carreira?
Há muito tempo que tinha este desejo de vencer uma das edições oficiais da Wings for Life World Run. Sempre expressei este desejo a quem me conhece, já tinha vencido a edição APP Run do ano passado em Portugal, mas faltava participar numa edição oficial.
Queria vencer por todo o simbolismo que a prova tem, não só pela causa, mas também pelo desafio de ser uma prova completamente diferente das restantes. É uma prova “o último a cair”, tem a minha cara.
Mas a importância em si para a minha carreira é relativa. Importantes são os momentos que guardo, a amizade e o que fica para o futuro. Para isso raramente é preciso vencer.

A Wings for Life World Run é uma das provas mais emblemáticas a nível mundial
A Wings for Life World Run é uma das provas mais emblemáticas a nível mundial

E como viveu a Wings for Life World Run?
Vivi-a com emoção pelas razões anteriormente referidas e também com a emoção redobrada por ter podido partilhar este momento com a Elisabete Pereira, que possibilitou tudo isto ao me convidar a participar com ela nesta aventura.
O ambiente é indescritível. Aqui, em Taiwan, as pessoas são muito acolhedoras e simpáticas, literalmente empurraram-me para a frente. Ainda me custa acreditar na forma como fomos recebidos.

E o que tem de especial a Wings for Life World Run?
Para mim é uma prova que só tem comparação a uma grande maratona, mas, mesmo assim, entendo que seja mais especial do que esta devido a causa e o formato competitivo.
Só quem participa poderá compreender o que é correr a Wings for Life World Run, mas não é para toda a gente. Participar sim, mas com outros objetivos é necessário algo mais do que a corrida por si só não trás!

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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