Luís Fernandes: «O UTMB é os Jogos Olímpicos do Trail»

No último artigo do último dia d´«A Semana do Ultra Trail Mont Blanc», Luís Fernandes, o melhor português no recente UTMB, aborda, entre outros assuntos, Portugal ter colocado 3 atletas no Top 30 da corrida, apenas atrás de Espanha, França e Estados Unidos. Coincidência ou não, todos originários da Madeira…

 

Alcançou o 18.º lugar. Era o que ambicionava? Ficou surpreso? O tempo final era o que previa?
Não fazia ideia qual seria o lugar possível de alcançar. Com a lista de atletas presentes sabia que era muito difícil ficar no Top 20. Fiquei por isso muito surpreso com o 18.ª lugar, mas ainda mais com o tempo final.

Portugal alcançou três atletas no Top 30, apenas ultrapassado pela Espanha, França e Estados Unidos. Qual a sua opinião para este impressionante dado?
Significa que Portugal tem um grande potencial nestas distâncias.

E os três serem oriundos da Madeira significará algo. Ou não?
A Madeira tem bons atletas, mas também muitos grandes ultras maratonistas de Portugal continental não participaram nesta edição do UTMB. Ainda assim, são de facto os resultados que contam e para uma ilha pequena como a Madeira conseguir três presenças no Top 30 da melhor prova do mundo é um excecional resultado.

A Madeira é a capital do Trail nacional?
A Madeira é um excelente local para treinar. Tem uma grande vantagem pela orografia da ilha e a sua beleza natural, que é uma enorme motivação para nós. Tem também um excelente calendário de provas de qualidade, sempre muito competitivas.

Luís Fernandes não se vê a vencer um Mundial ou um UTMB

Como definiria o UTMB?
O UTMB é os Jogos Olímpicos do Trail.

Guarda com mais carinho esta participação no UTMB ou no Mundial do ano passado? Porquê?
Tenho um carinho por todas as participações, em especial quando represento Portugal. E no UTMB também represento Portugal.

E o que preferia: uma vitória no UTMB ou no Mundial? Porquê?
Tenho os meus pés bem assentes na terra, isso é algo que nem me passa pela cabeça. Tento sempre o melhor resultado possível, mas uma vitória em qualquer dessas provas é algo ainda impensável para mim.

 

Luís Fernandes e a sua equipa de apoio no UTMB
Luís Fernandes e a sua equipa de apoio no UTMB

 

O que prefere: treinar ou a adrenalina de uma prova? 

Treinar é sempre a parte mais difícil. É todos os dias, a maior parte das vezes sozinho… Numa prova temos um ambiente que mais parece uma grande festa. Sentimos logo a adrenalina e é assim que corremos, nos abstraindo de todo o resto.

Qual a atração do Trail?
A atração do Trail é o desafio, o contato com a natureza, as subidas e descidas, as belíssimas paisagens. São imagens que nos motivam e faz compensar todo o esforço realizado.

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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