Leonardo Diogo: «Sinceramente, acho que não gostaria de repetir a prova porque gosto de desfrutar a vida!»

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Na recente Ice Trail Tarentaise, Leonardo Diogo, do Madeira Ultra Runners/Camadeira, foi o melhor atleta nacional na prova, que, confessa, não espera repetir no futuro. Principalmente devido a sua dificuldade, bastante perigosa para atletas menos preparados…

 

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Como surgiu o convite para participar na Ice Trail Tarentaise?
O convite, por parte da Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal, surgiu depois de, em 2014, ter representado Portugal no Campeonato do Mundo de Skyrunning, realizado no Mont Blanc, onde fui o vigésimo classificado, obtendo assim o estatuto de atleta de alta competição. Também era o único português no Top100 da International Skyrunning Federation no ano passado, feito que consegui novamente este ano por participar em 2014 na Transvulcania e nos 80 km do Mont Blanc, eventos pertencentes ao Skyrunner World Series. Por isso fui convidado para o Campeonato da Europa de Skyrunning, que foi disputado na Ice Trail Tarentese.

O que conhecia da prova?
Apenas o que estava no site do evento. Sabia que iria ser bastante difícil por decorrer em alta montanha, mas tinha o conforto de já ter participado em duas edições da Marathon du Mont Blanc, que se realiza num ambiente um pouco semelhante em termos de terreno (neve e gelo).

Representou as cores de Portugal. O que significou isso para si?
Representar Portugal numa prova desta natureza é um momento sempre alto nas nossas pequenas carreiras. O simples facto de aparecermos na lista de inscritos com o nome de Portugal já é um prazer enorme. Nestes momentos sentimos uma vontade de dar tudo o que temos porque estão muitos portugueses a seguir a nossa corrida e esperam o nosso máximo. Por isso, quando vou para estas missões, transcendo-me e vou buscar forças onde nunca pensei encontrar.

Foi o primeiro atleta nacional a cortar a meta. Esperava este resultado?
Por ser o atleta da equipa com mais experiência neste tipo de terreno sentia que teria mais hipóteses de sucesso, principalmente devido ao facto da prova ser muito técnica e com um grau de dificuldade acrescido pela altitude. Aspetos que, para mim, já não eram novos, pois já tinha feito UTMB, Ultra Pirineu, Transvulcania e Lavaredo, entre outras.

Mas ficou surpreso com o seu desempenho?
Apesar de estar confiante por um bom desempenho, o meu objetivo era concluir a prova sem mazelas. Tinha corrido uma prova nos limites duas semanas antes, os 80 km do Mont Blanc, onde tive um bom desempenho, ficando em oitavo da geral e vencido o escalão de Vet1. Depois, o UTMB está novamente à porta… Por isso, foi essencial gerir bem a prova.

Como explica os atletas nacionais no masculino serem todos madeirenses?
É fruto dos resultados do Campeonato de Skyrunning do ano anterior. Foram selecionados o campeão e o vice. Contudo, acho que a Madeira, a nível de Skyrunning, é o local ideal em Portugal para treinar esta vertente de trail, não sendo de estranhar que os atletas madeirenses sejam grandes trepadores.

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Resumidamente, como foi a sua prova?
A prova em si foi muito técnica e, acima de tudo, perigosa devido as características do terreno, muitos trilhos gelados e pedra solta. Desenrolou-se de um modo geral sem sobressaltos, com uma partida rápida e baixando de intensidade com a entrada da grande subida ao Grande Motte. A ascensão foi feita com muita precaução e gerida ao máximo. O ponto fulcral da prova foi a descida do dito cume, onde se encontrava a pista de esqui altamente perigosa.
Na altura simplesmente parei e pensei: «Como vou descer esta mer…!!!» Todavia, a todo o custo, lá desci… Serviu-me de alento ver os atletas da frente a descer. Por isso, a minha solução foi passar por onde eles passaram.
Depois, o que mudou foi o cenário, já que as dificuldade continuaram com as descidas escarpadas e com muita pedra solta, sendo Aigille Pers um autêntico perigo, onde juntaram-se as duas provas num trilho único com controlo no cume e descida pelo mesmo trilho.
Até ao final foi sempre em gestão de esforço, pois os músculos das pernas começaram a dar sinal de cansaço. Estava terminada assim mais uma aventura nos Alpes em duas semanas.

Esta foi a prova mais complicada que participou?
Esta foi com certeza a aventura mais difícil da minha curta carreira de cerca de quatro anos no mundo do Trail. Sinceramente, acho que não gostaria de repetir porque gosto de desfrutar a vida!

Qual foi o segredo da sua prova?
O segredo do meu desempenho é o espírito de sacrifício, que é treinado dia-a-dia numa ilha onde cedo nos habituamos a lidar com o relevo agreste. Subindo as lombadas e descendo as achadas a caminho das fajãs…

E que memórias ainda guarda da Ice Trail Tarentaise?
Na memória ficam os momentos de convívio e descontração que antecederam a prova na companhia de grandes aventureiros da jornada: Luís Fernandes (leia aqui a crónica da prova), Manuel Faria , Ester Alves e o técnico da federação, João Paulo.

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Pedro Alves

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