João Oliveira: «Fiz praticamente cerca de 120 km a vomitar na Ultra Milano-Sanremo»

Na Ultra Milano-Sanremo (285 quilómetros), João Oliveira sentiu enormes dificuldades a partir dos 160 km, vomitando tudo o que consumia, inclusive água. O português fala ainda sobre o seu particular duelo com o russo Ivan Zaborskiy.

 

Como foi a corrida deste ano? Houve algo de especial em comparação aos anos anteriores?
Este ano até estava a correr bem até aos 160 km. Depois comecei constantemente a vomitar, cheguei ao ponto de vomitar a própria água. Parece loucura, mas fiz praticamente cerca de 120 km a vomitar e a beber quase nada porque simplesmente deitava tudo para fora. Evidentemente que as forças me abandonaram…

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Teve um duelo muito especial com o Ivan Zaborskiy. O que poderia falar sobre o russo, vencedor da edição deste ano?
Ele só me passou nas galerias, cerca dos 176 km, sensivelmente. Tentei manter a cadência, mas sempre que tinha fome e comia, vomitava. Aos poucos vi que ele se afastava cada vez mais… Como o meu carro de apoio comprovou e como foi comprovado depois pelos próprios elementos da organização, o Ivan Zaborskiy nunca comeu, desde o início da prova até ao fim. Somente bebeu Coca-Cola e ingeriu comprimidos a cada 2, 3 km.

João Oliveira vai levar a sua própria água em 2019

Ao olhar hoje para a prova, “falhou” em algo na sua estratégia?
Sim, não ter levado comigo a minha própria água.

🥈🥈🥈JOAO OLIVEIRA ARRIVA A SANREMO🥈🥈🥈Con un tempo poco superiore alle 31 ore, il campeon Joao arriva al mare di Sanremo.Ci ha regalato ancora una volta tante emozioni, ha corso una grande gara sfidando ZABORSKIY e SIDEIRIDIS per gran parte della gara. JOAO, SEI E RIMARRAI SEMPRE UN GRANDISSIMO ULTRA! GRAZIE ANCORA UNA VOLTA!

Publicado por Ultramilano-Sanremo em Domingo, 29 de Abril de 2018

Como explica a diferença de tempo entre os dois e o restante pelotão, já que o terceiro chegou cerca de 10 horas depois de si?
Apesar de a diferença ser muita, estamos a falar de atletas com bastante experiência e vencedores de provas desta distância. Um deles é o argentino que venceu a PT281+ (281 km) em Portugal, há dois anos, edição em que não participei. Outros com experiência na Marathon des Sables, Spartathlon, entre outras. Como referi, a prova é aparentemente fácil aos olhos, mas, na prática, é cheia de armadilhas que acabam por envolver os atletas. Quando eles se apercebem, já é tarde… Uma delas é abusar, no início, da rapidez.

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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