João Oliveira: «Mesmo com dores, o meu corpo tem de se manter em pé»

No quarto e último dia d´«A Semana “A meta é uma questão mental”», João Oliveira ressalta positivamente a participação da população no trajeto da PT281, ao mesmo tempo que revela que o seu clube pretende criar uma prova destas dimensões no Alto Tâmega. Afirma ainda que o seu corpo tem de se manter em pé até a meta.

 

Como analisa a participação da população por onde passou a prova? Sentiu, por exemplo, uma maior aproximação aos corredores?
A população foi muito acolhedora, bastava pedir uma coisa e já estavam a convidar para entrar e comer, quando somente pretendia água mais fresca. Recordo de uma pessoa que aguardava os atletas e, quando me viu, veio a correr com um tabuleiro nos braços e a perguntar. «Deseja água, uvas, pêssegos, maçãs, uma sandes?». Por amabilidade, respondi que aceitava água fresca se tivesse. «E levo esta maçã e este pêssego». O homem sorriu de satisfação e ofereceu o que pedi. Agradeci o seu gesto e ele desejou boa sorte para o resto da prova.
A população local também colocou em três lugares um “check point” de comida e líquidos por iniciativa própria. Um deles até me ofereceu um gelado.

 

João Oliveira descansa num check point da PT281
João Oliveira descansa num check point

 

Poderia resumir como foi a sua prova? As dificuldades que passou? A estratégia seguida? As partes mais complicadas do percurso? Quanto tempo dormiu? Etc. O tempo limite da prova, de 66 horas, é ajustado a dificuldade da corrida?
No início pensei que iria ter companhia mas, cerca de 20 km depois, fiquei isolado na linha da frente. Em segundo estava o Pedro Marques, mas, por motivos que desconheço, começou a ficar para trás e deixei de ouvir as suas passadas. Uns quilómetros depois, quando olhei para trás, já não o vi. 
A grande dificuldade da prova foi apenas o problema de não conseguir digerir a alimentação sólida. Há dias difíceis e este foi um dia mau para mim (risos).
Em relação a dormir, na verdade não o fiz, apenas descansei entre 17 e 20 minutos, logo a seguir a zona de Estreito, onde aproveitei para comer a massa que tinha levado comigo, uma vez que era o alimento que o meu estômago estava a suportar.
Já em relação a estratégia, só tenho uma em todas as provas: podem aparecer dores, muitas dores, dores fortes em todos os setores do corpo, o meu corpo pode até gritar pela mãe e pelo pai, até os meus pensamentos podem falar mal de mim… Mas apenas depois de passar a linha de meta. Até lá, em prova, o meu corpo tem de se manter em pé. «Onde os outros falham e desistem, um COMANDO persiste até concluir seu Objetivo/Missão.»

 

Ingerir alimentação sólida foi um suplício para João Oliveira na PT281
Ingerir alimentação sólida foi um suplício para João Oliveira

 

Gostaria que o seu clube, o Chaves Running Team, organizasse uma prova com estas dimensões no Alto Tâmega? Seria algo viável?
Sim, gostaria e temos projetos para o fazer. Até lá, temos que limar bem as arestas e fixar solidamente a organização para estar à altura do desafio.

 

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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