Inês Marques: «O 5.º lugar no OCC superou as minhas expectativas»

Inês Marques, no OCC (56 km/D+ 3500m), Augusto Pinto Oliveira, no TDS (119 km/D+ 7200m), e Luís Fernandes, no UTMB (171 km/D+ 10000m), falarão ao longo dos próximos dias sobre a experiência que viveram no “Parque de Diversões do Trail Mundial”. A atleta feminina, que alcançou um surpreendente quinto lugar, começa “A Semana do Ultra Trail Mont Blanc”.

 

Antes de tudo, foi a sua primeira participação no Ultra Trail Mont Blanc?
Sim. No ano passado estive no Mont Blanc a prestar apoio aos meus pais no UTMB. Fiquei apaixonada pelos trilhos e pelo ambiente. Este ano resolvi competir na distância mais curta, o OCC, de 56 km.

Qual a sua opinião sobre o evento em si? Era o que esperava? O que poderia dizer sobre a envolvência do acontecimento Ultra Trail Mont Blanc?
O Ultra Trail du Mont Blanc é um acontecimento mágico, não só pelo panorama mas, essencialmente, por toda a envolvência que rodeia a prova. As paisagens, o apoio do público, a simpatia dos voluntários, o esforço estampado no rosto dos atletas, os familiares e amigos que acompanham a prova com um misto de orgulho e apreensão, tudo isto faz do UTMB uma prova diferente de todas as outras.  
Além disso, é um evento que envolve uma grande logística, passando por três países (França, Suíça e Itália) e que considero estar muito bem organizado.

 

Publicado por Antonio Pinto da Silva em Quinta-feira, 31 de Agosto de 2017

 

A OCC é a prova mais rápida da Ultra Trail Mont Blanc. É assim que entende o Trail? Montanha e velocidade?
Na minha perspectiva, o trail é corrida na montanha, qualquer que seja a distância. Claro que as distâncias mais longas têm a componente da resiliência, indo muito além da capacidade física, uma característica que me agrada. Não considero que 56 km seja uma distância rápida, porventura por ter as minhas raízes no atletismo de pista.

Inês Marques satisfeita por ter cumprido o plano alimentar no OCC

Correu ao lado de alguns grandes nomes do Trail mundial, como Rory Bosio, Emily Peterson, Emelie Forsberg, Amandine Ferrato e a vencedora Eli Gordón. Qual a importância de correr ao lado destes nomes?
Perante nomes tão sonantes, não acreditava que pudesse disputar um lugar entre as primeiras, embora tenha partido com o objectivo de fazer uma boa prestação. O facto de ter partilhado alguns quilómetros com a Rory Bosio faz-me acreditar mais em mim e dá-me motivação para os próximos desafios.

Ficou surpresa com a vitória de Gordón, das favoritas a menos favorita? E ficou surpresa com a sua quinta posição? Esperava esse resultado?
Confesso que não conhecia a vencedora. Não tenho costume competir muito no estrangeiro e conheço apenas os nomes mais mediáticos.

Em relação a minha prestação, fiquei surpreendida por me ter intrometido entre as atletas de elite! A prova estava muito competitiva e o 5.º lugar superou as minhas expectativas.

 

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Poderia descrever como foi a sua prova? Os momentos mais complicados, os abastecimentos, a estratégia, etc.
Tentei partir a um ritmo confortável, tendo sempre presente que a prova teria 56 km com um desnível que nunca antes tinha feito (3500mD+), mas ao mesmo tempo sem perder muito tempo para a frente da corrida. Desde o início senti que o meu corpo estava a corresponder bem ao esforço e fui progredindo na classificação. A primeira grande subida foi ultrapassada com sucesso, mas a segunda, após sair do abastecimento de Trient aos 25km, foi dolorosa! Perdi três lugares, passando de 5.ª para 8.ª classificada, naquela que foi a mais longa e íngreme das subidas. Senti dificuldades em aguentar o ritmo forte das minhas adversárias, mas não desmotivei e voltei a recuperar na descida. 
Uma das particularidades desta prova relativamente às outras ultramaratonas em que participei é a impossibilidade de receber ajuda externa nos locais de abastecimento. Portanto, em termos de alimentação, levei tudo o que precisava comigo. Num dos abastecimentos, perdi demasiado tempo a tirar a alimentação da mochila e a encher os soft flasks. Porém, ter cumprido o plano alimentar que tinha delineado foi um dos aspectos que penso ter contribuído para uma boa prestação.

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Pedro Alves

Pedro Alves

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