Inês Henriques reconhece que não ouviu o seu corpo

No segundo dia d´«A Semana Power Girl», Inês Henriques admite que não ouviu os sinais do seu corpo. A portuguesa deixa assim um conselho para quando tal acontecer, mas também o que aprendeu com a sua inesperada desistência…

 

Até que ponto este desaire é mais importante do que outros desaires que teve na sua brilhante carreira, mesmo terminando os outros?
Confesso que este desaire teve um impacto grande porque estava ali como recordista do Mundo e, quando sai de Portugal, estava fisicamente muito bem para o defender.

Ou seja, não esperava a prestação da atleta chinesa Liang Rui, que superou o seu recorde do Mundo?
Não a conhecia, mas sabia que as atletas chinesas estariam muito bem e queriam ganhar e superar o recorde.

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E o que significa para si perder esse recorde do Mundo?
Os recordes são para serem batidos! Tinha a consciência de que se não fosse eu poderia ser outra atleta. Para mim, agora é um novo desafio! Depois de recuperar quero voltar ao trabalho ainda mais forte para, no Campeonato da Europa, voltar a batê-lo.

Inês Henriques promete voltar mais forte depois da inesperada desistência

Sobre a prova, poderia falar um pouco sobre ela? Como foi a sua gestão? Quando tomou consciência de que teria de abandonar de vez a marcha?
Como já referi, no início da competição não estava muito confortável, mas procurei colocar um ritmo certo, manter-me tranquila e esperar por melhores sensações. Próximo dos 10km comecei a sentir alguma dor no isquiotibial esquerdo, entre os 15 e 20km comecei a sentir desgaste muscular e alguma debilidade geral… Procurei fazer todos os abastecimentos corretamente para ver se conseguia recuperar, mas a situação agravou-se ao começar a sentir tonturas e acabei por desistir aos 29km.

Inês Henriques promete ouvir o seu corpo com mais cuidado
Inês Henriques promete ouvir o seu corpo com mais cuidado

Saber desistir é um dos principais problemas dos atletas, sejam eles profissionais mas, principalmente, amadores. Quais os conselhos que daria para esses mesmos atletas que, mesmo conscientes de que não estão bem, continuam com o seu esforço?
Agora, com uma maior distância da prova, vejo que devia ter tido mais atenção aos sinais que o meu corpo estava a dar. No entanto, como queria tanto fazer uma grande prova, não o quis ouvir e forcei demasiado para as condições que encontrei. O meu conselho é terem em atenção os sinais que o corpo vai dando e adaptarem a vossa estratégia tendo em conta esses mesmos sinais.

Esta desistência aumenta ainda mais o seu desejo de superação?
Claro, sou uma atleta habituada a ter muitas pedras no caminho e esta é apenas mais uma! Vou trabalhar para voltar ainda mais forte!

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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