Hélder Pinto: «Andorra propõe-nos como maior objetivo um convite à humildade»

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«A Semana de Hélder Pinto e a Ronda dels Cims» entra de vez na prova. Entre hoje e a próxima sexta-feira, o português vai abordar nesta entrevista os seus anseios, os treinos e as razões porque decidiu correr uma das provas mais difíceis do Trail mundial. De referir que Hélder Pinto vai fazer a sua estreia em provas de 100 milhas.

 

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Vai correr pela primeira vez a Ronda dels Cims. Concretamente, porque esta prova e não outra do calendário internacional?
Sigo a prova desde 2012. No ano seguinte, após “o senhor do Trai” Jorge Serrazina ter concluído a Ronda del Cims, fiquei mesmo “apanhadinho”. Adoro altimetria, adoro tecnicidade, adoro dureza. Desde logo, a Ana Santos, o Carlos Couto e o Miguel Bernardino disseram para desistir, pois não tinha experiência. No ano passado, o Bernardino convenceu-me a ir a Andorra Ultra Trail, correr a versão original da prova, a versão mais dura, a Mític 112k, com 9700d+, competição que finalizei ao lado da Daniela Marinheiro. É claro que agora pretendo voltar a Andorra e correr a Ronda dels Cims, mas sei muito bem ao que vou. É envolvente correr em Andorra, é estonteante percorrer os seus trilhos e atingir os seus picos. É mágico!

E quando decidiu correr a Ronda dels Cims?
Está decidido há muito tempo. Ir a Andorra não pode ser uma decisão do agora, deve ser uma decisão bem medida e não se pode misturar com outros objetivos. É um erro pensar de outra forma.

Em concreto, o que espera encontrar? Qual a sua expetativa?
Espero encontrar um desafio estratosférico, onde não haverá margem para erros nem invenções. Metade do pelotão não conclui a prova e a maioria que termina acaba sempre por fazer em duas noites. A dureza do percurso quebra-nos facilmente e, apesar de irmos com aquele passinho, acabamos sempre com a “marreta”. Esta prova não começa no princípio, a Ronda dels Cims começou em 2015, quando corri o Mític. O meu objetivo real são as 46 horas, o meu objetivo surreal são as 40 horas, o meu objetivo com percalços são as 48 horas e o meu último objetivo é mesmo acabar, nem que seja no tempo limite, as 66 horas.

Onde foi buscar informações para responder aos desafios da prova? Como foi o seu trabalho de pesquisa?
Neste momento, a minha maior fonte foi ter feito a Mític, mas antes tive conversas com amigos, principalmente o Miguel Bernardino, que já lá tinha estado.

Do que leu e ouviu, quais são, na sua opinião, os principais desafios que espera encontrar?
Sem dúvida que Andorra coloca os pontos nos «Is». Daquilo que li e que vivi, numa versão mais curta, é verdade, Andorra propõe-nos como maior objetivo um convite à humildade. Quanto mais depressa se compreender isto, melhor correrá a prova. E isso é, para mim, o maior desafio de Andorra, que não é só a Ronda dels Cims, mas também a Mític, o Celestrail, a Marató dels Cims, a Solidaritrail. Venha o diabo e escolha…

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Há algum aspeto que será uma novidade para si?
Sim, a distância. Nunca fiz 100 milhas, inclusive, já tive de entregar o dorsal no UTMB, aos 125 km. Mas sinto-me confiante e no bom caminho. A verdade é que não ando a trabalhar desde ontem para a Ronda dels Cims, preparo este desafio desde que comecei a correr.

Resumidamente, o que falta fazer em termos de preparação?
Este tipo de prova é muito diferente de tudo aquilo que o nosso Portugal nos pode dar. Ter experiência, ter aquele “passinho não chega”… A nossa forma tem de estar elevada, a níveis acima do nosso normal. Quando se entram nos últimos quatro meses, já temos de estar em plena forma. Daqui para a frente é obrigatório treinar, no mínimo, cinco vezes por semana, fazer dois treinos longos por mês, de preferência em prova, já que, em treino, não se testa nada… As futuras provas, como o Estrela Grande Trail 90k (5300m+), o Hard Trail da Padela (60 km e D+3500) e o Ultra Trail Serra da Freita 65 km, deverão colocar os pontos nos «Is» e concluir a minha preparação, entre outras competições mais curtas…

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Pedro Alves

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