Filipa Elvas: «Eu posso morrer, mas só morro depois de cruzar a meta»

Filipa Elvas já correu algumas das provas mais desejadas e difíceis do mundo, como aconteceu na recente “White Continent Marathon”, na Antártida, onde alcançou inclusive a vitória na Maratona. Corredora desde 2011, realizou a sua 16.ª experiência na distância.

 

Como surgiu a ideia de correr a “White Continent Marathon”?
As Maratonas surgem aos poucos, as ideias aparecem de forma espontânea, cada cidade, cada lugar novo por observar… Procuro, por ano, correr duas Maratonas e tenho como mantra não repetir nenhuma, só as corro uma vez. A ideia de correr a “White Continent Marathon” foi do meu treinador, Manuel Machado, foi ele quem escolheu a prova.

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E fez alguma uma preparação especial para a prova?
Corri normalmente durante dois meses, mas adoeci várias vezes. Por exemplo, estive parada 20 dias antes da prova. Depois recomecei a correr 15 minutos; depois 16, 17, 18 minutos… Até que cheguei aos 32 minutos na véspera da Maratona.

Inicialmente, o frio era o seu principal temor?
Sinceramente, nem por isso… Corro melhor com frio do que com calor.

As rajadas de vento complicaram a corrida de Filipa Elvas

Mas já tinha corrido em condições parecidas com a que enfrentou?
Sim, em 2013, quando corri e também venci a Maratona Polar Circle, uma prova parecida com esta, embora com duas diferenças: sem rajadas de vento de 40 km/h e sem nevar, como aconteceu agora… As rajadas de vento foram fortíssimas, mas também tivemos algumas subidas acentuadas. Para piorar, nevou constantemente do quinto quilómetro até o cruzar da meta.

Momento de lazer na Antártida de Filipa Elvas
Momento de lazer na Antártida de Filipa Elvas

E que temperaturas estavam aquando da corrida?
Julgo que estavam 3 graus negativos à partida mas, devido ao vento forte, a sensação térmica sentia-se de forma muito mais dolorosa…

Esperava vencer a corrida ou ficou surpresa com o triunfo?
Como estive parada durante algum tempo, nunca esperei alcançar a vitória. Mas tinha a certeza de uma coisa: que cruzaria a meta. Um mês antes da corrida orientei o meu foco e o meu pensamento só para o dia da Maratona. Mesmo estando sem correr, e ao longo dos dias, orientava o meu pensamento nesse sentido, mesmo a trabalhar, a bordo dos aviões da TAP…
Disse várias vezes aos meus amigos e família: «Eu posso morrer, mas só morro depois de cruzar a meta.»

LEIA NA QUARTA-FEIRA A SEGUNDA PARTE DA ENTREVISTA

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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