Ester Alves: «Procurava andar devagar depois das etapas para ninguém reparar que tinha dores»

Ester Alves alcançou um brilhante segundo lugar na Everest Trail Run, lutando em todas as etapas pelo triunfo. A portuguesa revela que, durante a corrida, caiu por diversas vezes e arriscou mais do que é habitual, principalmente nas descidas.

 

Esta foi a corrida mais especial da sua carreira?
Foi especial… Mas todas tiveram a sua importância.

Mas o que significou correr nos Himalaias?
Correr no teto do mundo, no sítio mais impressionante do planeta, foi algo incrível. Poucos saberão o que é correr tão alto, ainda mais com 4 graus negativos, ou dormir a temperaturas negativas de 10 graus. Mas também adormecer com o coração a bater a 120 por minuto por causa da altitude e acordar com os pés e as mãos inflamadas e com a sensação de que vamos ter um ataque cardíaco… Foi realente incrível levar o corpo ao limite, aos 4000 metros de altitude.

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E o que mais a impressionou na Everest Trail Race?
Sem dúvida que foram as paisagens, hiperbólicas. Acordar com o Evereste à nossa frente faz-nos entrar em levitação e pensar que tudo é possível.

Ester Alves ficou surpresa com as vitórias nas duas primeiras etapas

E ficou surpresa com as suas vitórias, concretamente nas duas primeiras das seis etapas?
Sim, admito que fiquei surpresa com os meus dois triunfos.

 

Ester Alves na Everest Trail Race
Ester Alves na Everest Trail Race

 

Mas a sua estratégia foi atacar desde o início para impressionar as suas rivais?
Ataquei nas primeiras etapas mas acabei por pagar o cansaço nas etapas seguintes, ficou algo bastante caro porque sofri imenso nas etapas seguintes. Tive imensas dores musculares nos dias posteriores. Procurava andar devagar depois das etapas para ninguém reparar que eu tinha dores. Tinha sempre a esperança de que, durante o descanso da tarde, as dores atenuassem. Mas adiantei-me na estratégia devido aos meus resultados nas duas primeiras etapas. Por exemplo, não costumo acelerar nas descidas, mas, na terceira etapa, arrisquei tudo em descidas íngremes e particularmente perigosas. Caí imensas vezes, mas a inflamação que o corpo tinha, devido à altitude, protegeram várias vezes as articulações.

Leia ainda hoje a segunda parte da entrevista

 

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Pedro Alves

Pedro Alves

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