Ercília Machado: «A vida é feita de ciclos e o meu ciclo no Sporting durou 5 anos»

A inesperada saída do Sporting e a não participação do Europeu de Corta-mato devido a lesão marcaram, de certo modo, o ano de Ercília Machado, terceira colocada do recente Grande Prémio de Natal. Como acontecimento do ano, a atleta salienta o feito de Inês Henriques, campeã e recordista mundial dos 50 km marcha.

 

O Grande Prémio de Natal é uma das principais provas do calendário nacional. Quando teve contato com a prova, quando teve consciência da importância que ela tem para o Desporto nacional?
Comecei a ter contato com a prova há uns três anos, na altura em que o Maratona Clube de Portugal já tinha tomado a organização da mesma. Até essa altura, confesso, não tinha conhecimento do Grande Prémio de Natal. Depois comecei a perceber que esta competição era uma das mais emblemáticas de Lisboa e que tinha muita história no passado.

E o que representa para si correr a prova nos nossos dias?
Devido à altura do ano em que estamos, o Natal, esta corrida acaba por ser uma prova de convívio e festa entre todos os participantes, mas sem descorar a parte competitiva.

Se não estou enganado, conseguiu melhorar o seu tempo pessoal nos 10 km. Um atenuante por não ter conseguido ir ao Europeu de Corta-mato?
Sim, se o tempo fosse homologado seria o meu recorde pessoal. Todavia, face ao desnível, infelizmente não é possível. Mesmo assim fica o indicativo de que a minha forma física está a melhorar de prova para prova. Não digo que esta corrida venha a substituir o Europeu de Corta-mato, que não vem, pois são provas muito diferentes, mas o que sempre digo é que as coisas não acontecem por acaso e talvez tivesse destinado ter esta alegria.

Já está recuperada deste infortúnio?
Sim, completamente recuperada. Isso já faz parte do passado.

Como descreveria o trajeto do Grande Prémio de Natal?
Foi a primeira vez que participei no GP do Natal com este percurso. Posso dizer que, até ao Saldanha, o trajeto não é nada fácil, mas, pelo apoio que tivemos ao longo de todo o caminho, foi simplesmente fantástico.

E qual o segredo para alcançarmos um bom tempo na prova?
Não existe um segredo que ninguém desconheça. Simplesmente é fruto de muito trabalho, dedicação, empenho e sacrifício no dia-a-dia nos treinos.

O momento que menos esperava do ano foi ter deixado o Sporting

Qual o balanço que faz do ano?
Esta época teve muitos altos e baixos enquanto atleta, pois só competi em março, nos Nacionais de Corta-mato longo e curto, em que fiquei no 12.º e 3.º lugares, respetivamente. Agora, a partir de setembro, é que as coisas estão a começar a surgir naturalmente e de forma muito progressiva, o que é o ideal.

O ter deixado o Sporting foi o momento mais difícil da temporada?
Sim, infelizmente foi o momento que menos esperava que acontecesse, mas a vida é mesmo assim e devemos seguir em frente. A vida é feita de ciclos e o meu ciclo no Sporting durou 5 anos!

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Qual acredita que foi o acontecimento do Mundo da Corrida do ano?
O feito inédito da Inês Henriques, ao lutar pela incorporação dos 50 km marcha para mulheres num Mundial. E ainda por cima por ter sido a pioneira na inscrição do seu nome no livro dos recordes do Mundo.

O que espera de 2018? Quais o objetivos e a grande meta para o próximo ano?
Espero que seja um ano de muitas alegrias para mim e para todos. Agora é pensar dia-a-dia, treino a treino, prova a prova… Não quero pensar a longo prazo. Uma coisa de cada vez!

 

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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