EDV-Viana Trail: «Calendário nacional está assente na maximização do lucro»

No segundo dia d´«A Semana… “Títulos para todos os gostos”», José Carlos Alcobia e Pedro Caprichoso, da EDV – Viana Trail, abordam a competitividade e o calendário nacional de Trail, ao mesmo tempo que explicam como projetam a temporada.

 

Como projetaram a temporada? Como é definido as prioridades do calendário?
A nossa época é projetada em função da disponibilidade dos nossos melhores atletas. Visto que temos atletas com características diferentes, as nossas prioridades passam sempre por estarmos presentes nas provas mais carismáticas do campeonato. Esta é uma das formas de darmos visibilidade aos nossos patrocinadores. Dito isto, importa esclarecer que nós não obrigamos os atletas a fazerem determinadas provas. O atleta é soberano a esse respeito. No fundo, avaliamos os interesses individuais dos nossos atletas e depois gerimos o nosso calendário em função disso. Vencemos 12 de 13 títulos em disputa desde 2003, sendo que, o que não vencemos, ficámos na segunda posição.

 

A alegria de Fernanda Verde
A alegria de Fernanda Verde

 

Como analisam a competitividade do Nacional?
A competitividade a nível individual tem aumentado em quantidade e qualidade ao longo dos últimos anos. Temos cada vez mais e melhores atletas. Não pensamos, porém, que a qualidade dos atletas é necessariamente proporcional a uma maior competitividade entre as equipas: se as outras equipas têm melhores atletas, nós também os temos. A diferença não é essa. Do nosso ponto de vista, a grande diferença tem a ver com a forma como atualmente são encarados os títulos coletivos no âmbito do Trail Running. Hoje dá-se muito mais importância às vitórias coletivas do que há 4, 3 ou 2 anos. Em grande parte, passe a modéstia, essa tendência tem raízes na filosofia da EDV-Viana Trail. A nossa equipa foi, desde a primeira hora, uma equipa que deu prioridade às vitórias coletivas. Fomos, se assim se pode dizer, pioneiros a nível nacional na forma de encarar competitivamente o Trail Running – um desporto eminentemente individual – a nível coletivo. Já existiam equipas antes da EDV-Viana Trail, mas nós fomos a primeira a afirmar, sem qualquer pudor, de que estamos aqui para ganhar por equipas.

Calendário nacional tem excesso de provas

Mas a competitividade deve ser melhorada? Deve ser feito algo?
O que deve ser feito estava a ser feito. Porém, neste momento e com novas alterações no horizonte, tememos que a competitividade se perca. O novo formato vai fazer com que os melhores atletas do pelotão nacional se dispersem pela quantidade absurda de provas dos campeonatos nacionais, encontrando-se apenas na prova (finalíssima) que dará lugar ao título nacional de campeão nacional, na Taça de Portugal e pouco mais.

 

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O que deve ser alterado? 
Há claramente provas a mais nos campeonatos nacionais. No nosso entender, o modelo e a estrutura que os campeonatos seguem é penalizador, não só para as organizações das provas, como também para a competitividade entre os atletas. É um modelo que está assente na maximização do lucro e no crescimento do número de associados da ATRP. A qualidade passou para segundo plano.

Um dos problemas encontra-se no facto de os campeonatos terem muitas provas Series 150. Deviam ser menos. Exemplo: no Campeonato de Trail Ultra Ultra, se pegássemos nas 15 provas Series 150 e passássemos 5 delas para Series 100, ficávamos com 10 provas Series 150, contando as melhores 6 provas (4 Series 150 + 2 Series 100). O número de provas Series 150 (10) tem de ser sempre menor do que o dobro do número máximo de provas Series 150 (6), que contam para a classificação final, de maneira a impedir que haja equipas empatadas no fim do campeonato, evitando deste modo que as equipas se vejam forçadas a fazerem as provas todas para vencerem segundo os critérios de desempate. Podem haver mil provas Series 100, não faz sentido é termos 15 provas Series 150 quando “apenas” 4 contam para a classificação final. Tal faz com que, potencialmente, possam haver 3 equipas empatadas no fim do campeonato. Basta que cada uma vença quatro provas Series 150 e duas provas Series 100.

 

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Pedro Alves

Pedro Alves

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