Daniela Cunha viveu uma semana de sonho no Corta-mato

Daniela Cunha viveu há pouco tempo uma semana de sonho na sua carreira. No Nacional de Corta-mato longo, alcançou o terceiro lugar; no Cross curto, subiu no degrau mais alto do pódio. A atleta do Sporting revela a estratégia que utilizou nas duas provas, ao mesmo tempo que aborda o emocionante abraço dado a Sara Moreira.

 

Terceira no Cross longo, primeira no Cross curto. Esta semana foi uma das mais importantes da sua carreira em termos desportivos?
Sim, é verdade, esta semana foi uma semana bastante positiva e fiquei muito feliz por estes resultados. Já há algum tempo que sonhava com um lugar no pódio no Campeonato Nacional de Corta-mato Longo e, no curto, sonhava em poder revalidar o título. Tudo aconteceu e fiquei duplamente feliz. 

Poderia falar das duas provas? Qual a estratégia utilizada nas duas? E quais as dificuldades que sentiu em ambas?
As duas competições são muito distintas. A prova longa, de 10 km, tive de ter muita precaução nos primeiros quilómetros de corrida, pois sabia que teria uns quilómetros duros pela frente, com troncos, rampa e lama. Não seria fácil!
Inicialmente decidi ter alguma precaução e depois tentar sair nos últimos 4 km. Depois foi tentar deixar todo o treino no percurso para não ser ultrapassada nos momentos finais da corrida. 
No Nacional Curto, de 4 km, foi apostar tudo logo desde o início porque sabia que tinha colegas mais rápidas que eu na parte final. A aposta que fiz no primeiro km de corrida deixou-me mais “descansada” para a parte final da corrida. 

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No Corta-mato longo não teve a preocupação de liderar, ao contrário do curto. O que prefere? Correr atrás do líder ou assumir a prova?
Como diz o velho ditado, “candeia que vai à frente ilumina duas vezes”. Eu sou adepta desse ditado e prefiro assumir a prova. Mas também sei perceber quando posso ou não assumir o comando da corrida. Um exemplo disso foi o Cross longo. Sabia que não poderia assumir à frente do pelotão. E nem conseguia… (sorriso). 

É raro termos um atleta que consiga ter bom rendimento nas duas distâncias. É complicado manter a alta performance nas duas provas? Treina diariamente com esse objetivo?
O meu treino diário abordou a preparação para o Corta-mato longo. Juntamente com essa preparação nunca esquecemos a parte da velocidade, o que me permitiu estar preparada para o Cross longo e o Cross curto. 

Não podemos ignorar o seu emocionante abraço a Sara Moreira. Já reviu as imagens? Qual a importância dela para a sua carreira?
A Sara, para além de ser minha colega do Sporting, também já foi minha colega no Maratona Clube de Portugal. Portanto, a nossa amizade já vem de alguns anos. E nunca quero esquecer que, numa fase da minha carreira, foi com ela que fiz todos os meus treinos, ela sempre me ajudou muito. Por isso, foi um abraço de «Obrigada por tudo!» e um abraço de «Estou contigo!». 

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E aquele mar de emoção após cruzar a meta. O que significou o terceiro lugar, que, pelo menos em imagens, parece ter sido mais importante do que o primeiro lugar do Corta-mato curto?
Aquele terceiro lugar teve um sabor muito especial. Em finais de Dezembro tive uma lesão no tendão de Aquiles, o que não me permitiu a preparação para o Nacional de Estrada. Desde então encarei com muito mais rigor o trabalho para conseguir chegar bem no Nacional de Corta-mato. Por isso, e depois de tanto trabalho, este resultado soube a ouro (sorriso). 

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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