Paulo Garcia (PT281): «Cultura desportiva e pouca gente na meta não é relacionável»

Paulo Garcia, da direção de eventos e um dos organizadores da PT281, acredita que, com o tempo, a presença de mais público para receber os atletas será uma realidade. Este é o terceiro dia d´«A Semana “É difícil mas vale a pena”».

 

Como organização, o quanto é desmotivante ter este final?
Porquê desmotivante?! É algo que sabemos poder melhorar e que será melhor, de certeza, em 2018. Agora, desmotivante é que não. Essa é uma palavra que não cabe no nosso dia-a-dia. O que não está bem melhora-se.

Acreditam que poderiam fazer algo de diferente em relação a esse aspeto?
Podemos e vamos fazer. Mas nunca esperem milhares de pessoas na rua à espera de um vencedor que a maioria não sabe a que horas chega. Esses mesmos milhares, centenas ou dezenas de pessoas que conseguirmos eventualmente trazer até às chegadas podem nem sequer aplaudir a vitória de um atleta que conclui os 281km. Temos exemplos de provas, por nós organizadas, que têm público e só os membros da organização é que batem palmas e fazem a festa.
Outro fator foi a introdução dos rastreadores na prova. Os rastreadores tanto podem trazer como afastar público do local de chegada. Os mais entusiastas seguem a corrida e saem de casa para dar um apoio; os outros, a maioria, preferem, no conforto das suas casas, seguir as contingências da corrida ao invés de ir aplaudir.

 

Memórias

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IMAGENS CEDIDAS POR «FOTOS DO ZÉ»

Relação entre a cultura desportiva e pessoas na meta não estão associadas

Mas compreendem haver tão pouco público a receber esses verdadeiros heróis?

Sim, não nos espanta. Aos poucos, quando todos se unirem em volta do evento, isso muda. E para isso mudar são precisos alguns anos. Um bom exemplo são os apoios espontâneos ao longo do percurso. Na próxima edição serão ainda mais, tal qual como na meta. É preciso também tempo e paciência.

A falta de cultura desportiva em Portugal justifica esse comportamento?
Não vejo relação entre elas. Cultura desportiva e pouca gente na meta não é relacionável.

E como alterar esse comportamento?
Trabalhando mais, comunicando melhor e principalmente ter a paciência e suficiente clareza para consolidar a prova e não nos deixar cair em tentações de tentar copiar os outros. Depois de consolidada, depois de se olhar para ela como não sendo mais uma, mas… aquela prova (!), as pessoas acreditam e reúnem-se em volta do desígnio.

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Pedro Alves

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