Quando o público faz levitar o corredor na Maratona de Chicago

Ricardo Areias ficou «arrepiado» com a presença de público na Maratona de Chicago, cerca de 1,7 milhões de pessoas que apoiaram a todo momento os atletas. « Há momentos durante a prova em que a concentração de público é tanta e o barulho é tal que quase levitamos e esquecemos do esforço que estamos a fazer», confessa.

 

O que poderia falar da prova, do seu percurso?
Por uns gráficos que foram apresentados na Expo da Maratona de Berlim, o percurso é o mais plano das 6 Majors, com longas avenidas. Tanto estamos no centro da cidade como percorremos alguns dos bairros mais carismáticos da cidade. A prova passa, por exemplo, pelo interior de Chinatown!

Ricardo Areias feliz com a medalha da Maratona de Chicago
Ricardo Areias feliz com a medalha da Maratona de Chicago

E do apoio do público?
Se em Berlim temos indicação de um milhão de pessoas na rua a apoiarem os atletas, a indicação em Chicago é de 1,5 milhões. São números fantásticos! Há momentos durante a prova em que a concentração de público é tanta e o barulho é tal que quase levitamos e esquecemos do esforço que estamos a fazer. Lembro-me de ter passado por Chinatown com um enorme apoio de pessoas aos seus compatriotas, principalmente mexicanos. Havia muitas pessoas na rua, com as bandeiras dos seus países… Os últimos 5 quilómetros foram fantásticos e arrepiantes, uma avenida gigante só para os atletas. Sem exagero, foram 5 faixas só para os corredores, lotada de público a apoiar. Foi arrepiante ter passado ali!

Ricardo Areias confessa que não ficou satisfeito com o seu tempo

Qual a estratégia que utilizou?
O calendário colocou-me a possibilidade de correr duas Maratonas em 15 dias. Como nunca o tinha feito, tive que correr com inteligência. A minha estratégia foi a de tentar aguentar o máximo de tempo que conseguisse o “pacer-balão” das 3h00. Em dois treinos de reconhecimento realizado antes da prova verifiquei que o meu GPS tinha dificuldade em se manter estável, não sei se devido aos altíssimos prédios ou por estar a correr numa zona muito longe do normal. O que é certo é que constatei que seria complicado controlar o ritmo pelo relógio, como gosto de fazer.
Optei então por seguir o “balão” indicativo das 3h00, mas apenas o consegui fazer até o km 8, já que tive de parar para utilizar o WC. Depois, nunca mais o vi… Fiquei então entregue ao ritmo que o relógio dava e procurei correr com a cabeça para tentar ir o mais certo possível.
No entanto, por volta do quilómetro 32, admiti que as pernas não respondiam ao ritmo que queria impor e decidi desligar por completo o modo competitivo, decidi voltar a estratégia de aproveitar a corrida ao máximo. Terminar, terminar sem sofrer, terminar a sorrir e a querer voltar a correr uma Maratona.

Mas ficou satisfeito com a sua corrida?
Acima de tudo fiquei satisfeito por terminar mais uma Maratona, mais uma Major! Se estou satisfeito com o tempo que fiz em Chicago? Confesso que não! Mas se estou feliz por ter terminado? Posso afirmar que sim!

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Pedro Alves

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