Como corri com menos 40% de oxigénio na Volcano Marathon

O que significa correr a Volcano Marathon, uma das corridas mais difíceis do Mundo? No terceiro dia d´«A Semana da corrida extremamente difícil e extremamente bela», João Bandeira Santos revela a estratégia que utilizou no deserto do Atacama.

 

Em termos da prova em si, ela correspondeu ao que imaginava?
A organização informa que esta Maratona é muito difícil e, para reforçar esta mensagem, salienta que o recorde da prova é de 3h55m15, marca estabelecida pelo lendário ultra-maratonista marroquino Mohamad Ahansal, vencedor de cinco edições da Marathon des Sables. Para se ter uma referência, o recorde da Maratona da Antarctic Ice Marathon é de 3h34m47.
Depois da prova ouvi relatos na primeira pessoa de atletas com grande experiência em Ultra Trails nos Himalaias, UTMB, Jungle Marathon ou Marathon des Sables a dizer que a Volcano Marathon era muito mais do que uma Maratona, era uma prova de superação extrema. Inclusive, classificaram indiscutivelmente como uma das mais duras do mundo.
Uma das atletas participantes, com 60 Maratonas corridas, disse-me que a Volcano Marathon foi sem qualquer dúvida a prova mais dura que fez, incluindo mais dura que o “World Marathon Challenge”, que consiste em correr 7 maratonas em 7 continentes em 7 dias.

As impressionantes imagens da Volcano Marathon
As impressionantes imagens da Volcano Marathon

Cada corrida tem uma história, mas seguramente esta foi a corridas mais dura que fiz. A gestão do esforço e motivação foram colocados à prova a cada quilómetro. A prova excedeu totalmente as minhas expetativas, terminei no quinto lugar da classificação masculina. Os atletas que ficaram à minha frente eram todos 10 ou 20 anos mais novos do que eu.
Sabia que a paisagem era deslumbrante, mas todas as fotografias que se veem não fazem justiça à magnificência, à beleza do deserto, das montanhas, dos vulcões, dos “salares”. E, durante o percurso, encontrámos imensos animais, lamas e burros selvagens. É mesmo a Natureza em estado puro! Claramente que a prova e toda a envolvente excederam as minhas expectativas!

João Bandeira Santos procurou principalmente desfrutar da Volcano Marathon

Concretamente, qual o objetivo que tinha para a corrida?
O meu principal objetivo é sempre terminar e desfrutar: em qualquer corrida que faça procuro sempre divertir-me e, sempre que possível, procuro acrescentar um novo desafio ou uma nova experiência. Neste caso, correr no deserto, com cerca de 40% menos oxigénio do que ao nível do mar (Lisboa), era o meu novo desafio.

Poderia resumir a sua corrida, a estratégia que utilizou?
A corrida começou a cerca de 4500 metros, com uma temperatura a rondar os 3º C. O percurso era acentuadamente desnivelado. A partir dos 21 km tínhamos um traçado a subir cerca de 12 km, algo brutal. Terminei a Maratona com cerca de 27º C. O terreno era muito variado. Tivemos estradão, “single track”, terra fina, areia, rocha, pedra pomes dos vulcões em volta…

Nestas condições, a estratégia foi preservar bem as minhas reservas de energia. Iniciei a corrida com um ritmo lento até estabilizar a respiração à altitude. Depois, procurei aumentar o ritmo em todas as descidas e zonas planas. Nas subidas andei a um passo muito rápido, tendo muita atenção ao controlo da respiração.

Esta estratégia deu os seus frutos, quando cheguei ao “check point” dos 30 km a meio de uma subida impressionante. Tinha ultrapassado diversos participantes e sentia-me bem!

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Pedro Alves

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