Como a não realização de uma Maratona mudou a vida de Pedro Castro

castro

No terceiro dia d´«A SEMANA PEDRO CASTRO», o nosso protagonista recorda quando e como fundou a «Run With Castro», uma organização sem fins lucrativos de intervenção social. Mas também fala de como “entrou” para o Triatlo, algo que acabou por ser natural na sua vida desportiva, já que foi um nadador na juventude e um corredor mais do que «razoável» na fase adulta, algo que continua a ser. Pedro Castro revela ainda, das centenas de provas que já realizou nas três modalidades, a que marcou a sua vida, aquela que acabou por definir o que é hoje…

 

Partilhe a nossa página pelos amigos e faça um LIKE na nossa página. Obrigado! 

 

Se tivesse que escolher a melhor prova de sempre, seria a Maratona não realizada de Nova Iorque, em 2012, devido ao Furacão Sandy? Ou escolheria outra?
Sim, sem dúvida, escolheria a Run Anyway NYC Marathon 2012, uma corrida espontânea que surgiu na sequência do cancelamento da maratona oficial, na qual participaram sobretudo atletas que estavam em Nova Iorque para correr por causas solidárias. Ainda hoje me faltam as palavras para descrever a experiência que foi a Run Anyway. Foi uma corrida que mudou o rumo da minha vida.

Sempre sonhou correr a Maratona de Nova Iorque. Quando esteve lá pela primeira vez, não correu, mas acabou por criar a Run With Castro. Deus escreve certo por linhas tortas?
A Maratona de Nova Iorque era um sonho que perseguia há muitos anos e que ficou adiado quando o Furacão Sandy apareceu. Hoje, mais do que nunca, acredito que Deus escreve certo por linhas tortas. Se tivesse corrido a maratona em 2012, seguramente que teria vindo de Nova Iorque todo satisfeito, com uma marca a rondar as 3h45, objectivo para o qual tinha treinado, mas provavelmente nada do que fiz depois teria acontecido, nomeadamente a criação da Run with Castro.

Esta é a sua principal medalha? Para quem não conhece, o que é concretamente a Run with Castro?
Sim, uma medalha que continuo a conquistar diariamente sempre que vejo que consegui influenciar mais uma pessoa, seja para a prática desportiva ou para a ajuda ao próximo. Como funciona a Run with Castro? É uma organização sem fins lucrativos de intervenção social, que visa conciliar a prática desportiva com causas solidárias. Quando me proponho participar em maratonas ou triatlos de longa distância, faço-o sempre correndo por causas sociais, convidando amigos e empresas a associarem-se, correndo ao meu lado ou apoiando a causa. Depois ponho o nome das pessoas ou logotipo das empresas na camisola que levo para essas provas e é como se corressem comigo!

pedrocastro3

Depois da natação e da corrida, veio o Ironman. Uma progressão óbvia, tendo em conta a sua experiência a nadar e a correr?
Sim, influenciado por um amigo, o Vítor Cabrita, que me incentivou várias vezes a experimentar o triatlo, uma vez que, na perspectiva dele, tinha a natação quase no meu ADN, era um corredor em evolução e, na bicicleta, qualquer um se pode desenrascar. Quando experimentei, adorei. E daí até ao Ironman foi um percurso que fui trilhando, tal como fiz no atletismo até chegar à Maratona.

Poderia falar um pouco sobre as três modalidades do Ironman? O que cada uma lhe transmite?
A natação, para mim, ao contrário daquilo que acontece com a maior parte dos praticantes de triatlo, é a minha zona de conforto. Encaro a natação como se fosse um aquecimento e normalmente aproveito para visualizar aquilo que tenho para fazer nas outras duas modalidades. No ciclismo fico sempre umn pouco apreensivo com a dependência da bicicleta, pois gosto de depender apenas de mim e da minha condição física, mas, neste segmento, dependemos também de uma máquina, pelo que vou o mais concentrado possível para não correr qualquer risco de queda, nomeadamente nos momentos mais confusos dos abastecimentos ou quando se vai em pelotão, como ocorre por exemplo nos triatlos de distância olímpica. Por último, quando chego à corrida, tento gerir os primeiros quilómetros, pois venho com uma cadência elevada da pedalada na bicicleta e é preciso ter cuidado com a transição, uma vez que vou activar grupos musculares diferentes. No entanto, como me tornei um atleta razoável na corrida, o sentimento que normalmente me invade é de alívio e euforia, pois sei que estou entregue a mim próprio para terminar. Depois é só gerir até ao fim, tentando chegar dentro do melhor tempo possível!

LEIA TAMBÉM:
O prazer de correr com uns ténis de «casual wear»
Pedro Castro: «Foi a corrida que me apresentou o Carlos Lopes, que me levou a concluir um Ironman e a Maratona de Nova Iorque»

Gostaste do artigo? Faz Gosto ou Partilha com os teus amigos!
Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

Gostou? Partilhe pelos amigos