Cinco conselhos fundamentais para correr… 100 km

No segundo dia d´«A Semana da Concretização de um Sonho», Urbano Cracco revela que foi obrigado a trabalhar a… velocidade para melhorar o seu tempo no Mundial 100 km. «Nunca tinha realizado tanto treino de tiro na minha vida», confessa o brasileiro.

 

Partilhe pelos amigos e faça um LIKE na nossa página. Obrigado!

 

Como surgiu a oportunidade de disputar o Mundial 100 km?
Soube da realização do Campeonato do Mundo de 2015 através de amigos. Fui saber como eram os critérios de seleção e cheguei a falar com o presidente da Associação Brasileira de Ultramaratona. Apresentei o meu currículo e os meus tempos e acabei por ser selecionado pelos técnicos responsáveis, concretamente o Mariano e o Herói. Depois foi treinar e procurar representar do melhor modo o meu país.

Em relação a preparação para a prova, como planeou os treinos? Qual foi a sua estratégia e quanto tempo durou, por exemplo?
Como tinha uma prova na Grécia de 250 km no final de setembro, realizei muitos treinos de volume e subidas. Cheguei a correr 200 km por semana, com treinos longos entre 40 e 70 km /dia. Após a minha participação na Grécia, senti que estava muito bem em relação ao volume de quilómetros, embora faltasse o principal para uma “prova curta” como é um Mundial 100 km: a velocidade. Portanto, e juntamente com o técnico Mariano, iniciámos um trabalho com o objetivo de ganhar velocidade.
Sendo um corredor de ultras, nunca tinha realizado tanto treino de tiro na minha vida como fiz nas últimas cinco semanas antes do Mundial… Nesse período também participei de algumas provas curtas, de 10, 15 e 50 km, por exemplo, com o objetivo de aprimorar a minha velocidade. O resultado não poderia ter sido melhor: o meu tempo nos 100 km era de 7h55m00, fui com o intuito de baixar para 7h30 e terminei com 7h09. A verdade é que, logo na partida, percebi que os treinos tinham dado resultado. Sentia-me muito bem e sabia que poderia melhorar em muito o meu tempo.

E sempre teve tempo para treinar como desejava?
O meu tempo de treino foi muito curto devido ao meu trabalho. Tive e tenho por vezes apenas uma hora para treinar… Costumo treinar, por exemplo, no intervalo entre as aulas. Como já estou na academia, vou correr na passadeira. Nos fins-de-semana “acabo-me” nos longos.

Poderia dar cinco conselhos fundamentais na preparação para uma prova destas caraterísticas?
Resistência: é necessário treinar muito volume, ter treinos longos, participar em provas de grandes distâncias, criar uma ligação com a distância, fazer dela uma amiga e não uma inimiga, não pensar que vamos sofrer com ela;

Velocidade: temos de ser rápidos. A ultramaratona é uma corrida e vence o mais rápido. Terminar a prova à frente é a recompensa do esforço;

Força: nunca devemos esquecer os treinos de força. O ultramaratonista deve ser forte, aguentar as dificuldades dos treinos longos. Músculos e mente fortes levam-te mais rápido e mais seguro até o fim da prova;

Resiliência: é necessário aprender a suportar as adversidades, devemos ser tolerantes a dor, transformar as situações mais difíceis em algo benéfico. Não devemos reclamar do Sol, do calor, da extenuante subida ou da chuva, mas treinar para estas situações. É verdade que dói, dói muito, mas devemos estar preparados para suportar a dor mais do que os outros;

Gostar de correr: já imaginou fazer aquilo que mais gostamos durante 6, 12, 24h ou inclusive por alguns dias? Na ultramaratona é isso que acontece. Devemos gostar da corrida e sentirmos que somos uns privilegiados por podermos ficar horas e mais horas fazendo o que mais gostamos. Deste modo a prova torna-se mais prazerosa e não é sofrimento.

 

LEIA TAMBÉM:

Cracco: «Os meus principais feitos ocorreram precisamente este ano»

Gostaste do artigo? Faz Gosto ou Partilha com os teus amigos!
Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

Gostou? Partilhe pelos amigos