Carla André: «Sinto que não passo de uma pessoa normal»

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Carla André reconhece no quarto dia d´«A Semana do Sonho da Carla» que concluiu a Badwater devido a sua equipa, formada pelo seu companheiro, irmão e amigo. Mas também pelas mensagens de apoio que recebeu ao longo dos meses de preparação, além dos dias da prova. «O enorme apoio das pessoas são metade da força que levo», garante.

 

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Evidentemente que é fundamental ter uma equipa de apoio neste tipo de provas. É possível fazer a mesma sem ela? Todos os participantes tinham uma? Como “funcionou” a sua equipa?
Todos os atletas têm obrigatoriamente de levar uma equipa de duas a quatro pessoas. O meu companheiro, o Hugo, alinhou de imediato em fazer parte da equipa. Entretanto, convidei o meu irmão, que reside nos Estados Unidos, a participar, sendo que também aceitou de imediato. Por último, um grande amigo do Luxemburgo juntou-se ao desafio, o que originou uma equipa de luxo que intitulei “Unidos pelo sangue, amizade e coração!”
A equipa e a sua qualidade neste tipo de provas é de extrema importância! Devo o meu sonho a espetacular equipa que levei. Posso dizer que nunca me senti mal com o calor, dado que, durante todos os piores períodos, eles estiveram sempre a meu lado e a refrescar-me. Houve uma coordenação espetacular entre eles e passámos momentos únicos. O sonho é deles também!

Ao não ser uma atleta profissional, acaba por ser um enorme exemplo para milhares de corredores anónimos. Isto “pesa” na hora da largada, já que tem uma legião de admiradores? No fundo, a Carla André prova que uma “pessoa normal” também pode sonhar em participar em provas realmente desafiantes, que não estão apenas ao alcance de corredores profissionais.
O enorme apoio das pessoas são metade da força que levo! Lembro-me muitas vezes de tudo o que escrevem, em especial nos momentos em que estou em dificuldades. Mas sinto que não passo de uma pessoa normal. Todos nós sonhamos, mas muitas vezes o que nos leva a retrair de dar o próximo passo é precisamente o acharmos que somos normais. Devemos libertar-nos desse estigma e dar o passo. Os sonhos não são necessariamente apenas correr, mas algo especial que queiramos seguir: cantar, escrever um livro, fazer uma viagem, etc. Devemos é tê-los e dar o primeiro passo. E, quanto mais “normais” somos, melhor saberá, porque ascendemos às nossas próprias expetativas! É esta a mensagem que gosto sempre de passar.

O que retira da Badwater para a sua vida? O que estas provas têm de especial, já que o simples terminar é muitas vezes superior ao resultado em si que alcançamos?
Destes sonhos trago também lições que transporto para a vida, para o trabalho, para tudo… Com esforço, dedicação e fé conseguimos alcançar o que sonhamos! E que devemos encher a nossa existência de sonhos porque são eles que dão cor a vida, esta vida cheia de luta e muitas vezes sofrimento, dificuldades, etc. Não importa que sonho seja, mas devemos sonhar e lutar por ele, sempre com muita força! E devemos rezar, porque Ele ajuda-nos a superar tudo e dá-nos aquelas últimas forças que achamos não ter!

 

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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