Carla André: «Se pudesse teria intensificado o meu treino no volume de quilómetros semanais»

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Como treinar para uma prova de 217 km, com temperaturas próximas dos 50 º? Carla André, no terceiro dia d´«A Semana do Sonho da Carla», admite que, se pudesse recuar, modificaria algumas coisas no seu plano de treinos.

 

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Como foi a relação com os outros participantes?
O ambiente é muito familiar, com um apoio enorme entre atletas. Cada vez que passava por outros atletas, as suas equipas tinham sempre uma palavra de apoio para dar. O mesmo aconteceu com a minha equipa em relação a outros atletas. É a família Badwater!

Ao olhar para a sua fase de preparação, o que mudaria no seu treino? Ou o que mais intensificaria?
Reparti a preparação deste desafio em três partes importantes: preparação física para a distância, preparação para o calor e preparação psicológica. O objetivo foi correr semanalmente acima de 100 km para conseguir suportar a elevada distância. Relativamente ao calor efetuei exercícios dentro da sauna, chegando a fazer sessões de uma hora para habituar o corpo ao calor, tentando sempre realizar alguma atividade física no sentido de aumentar a frequência cardíaca em ambiente de calor, tais como step ou exercícios funcionais. Fiz algumas viagens para o Alentejo no sentido de poder correr com temperaturas mais elevadas. Relativamente a preparação psicológica, que é a que nos permite superar as dificuldades ao longo do percurso, o importante é contrariar a mente. Ir contra aquilo que o corpo e a mente pedem. Correr à noite depois de um dia de trabalho difícil e repetir isso diariamente é ir contra o descanso que o corpo e a cabeça pedem; sair ao meio-dia de domingo para correr 40 km no Alentejo, absolutamente sozinha e com temperaturas acima dos 40 graus, é desafiar a vontade; quando passamos pela praia e esplanadas somos “chamados” pelo descanso. Mas o sonho chama mais alto e há que lutar por ele.
Ao olhar para a fase de preparação, se pudesse, teria intensificado o meu treino no volume de quilómetros semanais. Infelizmente a vida assim não permitiu. Às dificuldades na gestão do tempo devido à minha atividade profissional, a vida colocou-me um desafio ainda maior pela frente: a minha mãe sofreu um problema grave de saúde cerca de três meses antes da prova. Ou seja, a vida retirou-me o chão, mas a fé trouxe-me novamente a esperança. Só Deus sabe a força que foi necessária para prosseguir com a preparação do sonho, sendo que o mais fácil seria abandonar. A vida só me ensinou que o desafio da Badwater é muito pequenino ao lado do desafio da vida, por isso não havia como não terminar este enorme sonho! A verdade é que levei forças a dobrar! E a mãe está cá a apoiar-me e a recuperar! Dedico esta corrida a ela, porque a ultramaratona que a minha mãe atravessa é bem maior!

 

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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