Carla André: «O que trago das provas são momentos e não quilómetros»

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No segundo dia d´«A Semana do Sonho da Carla», a gerente bancária Carla André revela que as altas temperaturas não foi o principal obstáculo na Badwater, considerada uma das corridas mais difíceis do Mundo. Saiba qual foi…

 

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Como foram os momentos noturnos? Dormiu quanto tempo?
Durante a prova nunca dormi, apenas provavelmente alguns segundos enquanto corria, mas rapidamente entendi que deveria despertar para não acordar fora de estrada. Adorei entrar na segunda noite, estava feliz e não me faltavam as forças, tinha a minha equipa, sempre a dar apoio. Foi maravilhoso!!! Estava uma Lua enorme e conseguia ver as estrelas, as 217 estrelas que tinha para seguir. Na segunda noite senti que estava bem preparada para o calor, dado que faziam mais de 30 graus e eu com frio. Ou seja, estava habituada aos 50 graus! Festejei as 100 milhas, com 30h00 de prova.

Qual foi o momento mais complicado?
A Badwater tem três grandes subidas, sendo que a última, quando já levamos 200 km nas pernas, foi efetivamente a mais complicada. Costumo chamar “A Infinita Subida de Mount Witney”. Mas o fim da mesma é o maior presente que podemos ter, a tão ansiada meta do sonho!

A temperatura foi o principal obstáculo a ultrapassar?
Por inacreditável que possa parecer, a temperatura não foi a minha maior dificuldade, mas o peso de acarretar mais de 200 km nas pernas. Quando me pedem não consigo descrever em pormenor “cada km” porque o que trago das provas são momentos e não quilómetros. Cada momento e dificuldade teve o seu significado, sendo que não trago a dor, mas o que aprendi com ela.

Em algum momento esteve muito próximo de abandonar a prova?
A palavra desistir nunca me ocorreu. Saberia que isso só aconteceria se algo grave acontecesse. Sofri muito no final da prova, mas desistir nunca esteve em cima da mesa. Nos momentos difíceis agarrei-me à fé, a todos os quanto me apoiaram e nos exemplos enormes de atletas que terminam as suas provas também com sofrimento.

 

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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