Carla André: «Descobri na Badwater que não há natureza inóspita»

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Carla André é uma prova de que não precisamos de ser atletas profissionais para alcançarmos grandes feitos. Depois da Maratona da Areia, a portuguesa terminou a Badwater, considerada pela National Geographic uma das provas mais duras para o homem. Falamos com a gerente bancária. Este é o primeiro dia d´«A Semana do Sonho da Carla».

 

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Regressou ao trabalho há pouco tempo. O que ainda recorda ainda da Badwater, o que continua a pairar nas suas recordações?
Regressei no sábado, dia 30 de julho, e no dia 1 de agosto já estava a trabalhar. Fui “obrigada” a aterrar na realidade, mas ficaram as emoções no coração. Tenho uma saudade enorme daquela imensidão, dos longos e quase infinitos caminhos, do por do Sol e do nascer do Sol, que vi acontecer duas vezes! Saudades ainda do espírito que se viveu na minha equipa. Este sonho não é meu, é de todos os que me conseguiram levar à meta. Mas chegou a hora de virar a página a este sonho conquistado e partir para um novo.

A Badwater foi o que esperava ou ultrapassou as suas expetativas? Em concreto, o que esperava e o que encontrou?
Esperava um ambiente desumano pela sua aridez e calor, mas, ao contrário, descobri que não há natureza inóspita, ela depende dos olhos que a veem e da alma que a sente. Venho maravilhada com a natureza, com a imensidão. Nunca tive medo, nunca me senti sozinha! Surpreendeu-me, apaixonei-me pelo Death Valley! É o apaixonar por algo que parece duro mas que se tornou belo.

Sobre a prova em si, poderia fazer um resumo? Como correu os seus 217 km?
A prova teve o seu início pelas 21h30. Apesar de ser de noite, estava cerca de 50 graus… Era um calor sufocante, mas a emoção da partida faz esquecer aquele ambiente tão duro. A partida ocorre no ponto mais baixo dos Estados Unidos, na Badwater Basin. A primeira parte da prova é ligeiramente mais plana nos primeiros 70 km, o que permite uma progressão relativamente mais rápida, sendo psicologicamente positivo na redução dos quilómetros que temos pela frente. No entanto, comecei logo no início a ter alguns problemas de estômago e cólicas que me acompanharam durante toda a prova. Embora não me tenha impedido de continuar, tornaram ainda mais desafiante os meus ‘dias’ por aquele deserto.

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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