Armando Teixeira: «Entre organizar uma prova e correr, prefiro correr»

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Armando Teixeira participou no último fim de semana no Trail da Raposa (veja as fotos aqui) – ganhou inclusive a prova -, uma semana depois de ter organizado a primeira edição do Estrela Grande Trail (entrevista com o vencedor da prova aqui). Não falámos com o atleta, mas com o organizador, que confessou no entanto que prefere correr do que organizar competições…

 

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Foi complicado criar esta prova? Quantos meses de trabalho, principais dificuldades, etc.?
Como em tudo na vida, todos os grandes desafios acarretam inúmeros problemas, inclusive alguns que não imaginávamos. Mas, com paixão, rigor e empenho, tudo se consegue e é ultrapassado. Ao olhar para trás, a nossa maior dificuldade foi o tempo e a distância geográfica. Tivemos de programar e rentabilizar as idas à Serra da Estrela, pois os custos eram e são enormes. Não conseguimos calcular por exemplo as horas, os quilómetros em estrada e nos trilhos… Mas o Estrela Grande Trail (EGT) foi idealizado desde os primeiros trail camps que organizei aqui, há dois anos. O nosso objetivo foi sempre fazer do EGT “a” prova de Portugal. Para isso, temos de criar uma identidade e acredito que estamos no bom caminho.

Como descreveria o percurso criado por vocês?
O percurso foi idealizado e construído tendo como base o nosso conhecimento da serra, dos trilhos que percorremos e conhecemos bem, alguns deles testados nos referidos trail camps. Decidimos em grupo criar um percurso equilibrado, duro qb, mas sempre a ter como principal condição a segurança dos atletas e de todo o staff envolvido. Depois, a beleza da Serra da Estrela se encarregou do resto. Gostaria de salientar que a largada e a chegada estavam localizadas na vila de Manteigas, encaixadas no belíssimo vale glaciar. Entre os dois, passagem por Fragão do Corvo, Vale do Rossim, Nave da Mestra, Garganta de Loriga, Loriga, Alvoco, subida à Torre pelo Km Vertical Alvoco-Torre, trilho do major, nave de Santo António, Poios Brancos, Vale da Amoreira, Azinha, Portela do Sameiro… Todo o percurso é diversificado, cada parte tem a sua história, visto que percorre quase na totalidade os PRs (pequenas rotas) locais. O que fizemos foi aproximar o percurso de toda a região da Serra da Estrela.

Do que viu e falou com os atletas, qual a mensagem que ficou de todos?
Vi claramente rostos de felicidade e superação, vontade de voltar a esta serra, mas também existiram algumas críticas que teremos de corrigir na próxima edição… Admito que estamos longe da perfeição, queremos melhorar a cada evento e aprender sempre. Para isso, nada melhor do que ouvir e recolher no local as primeiras impressões. Em resumo, para a primeira edição, estamos felizes.

armandoteixeira2O que correu de mais positivo? E quais os aspetos a melhorar?
É difícil dizer o que de positivo correu e também existem sempre aspetos a melhorar… Mas posso salientar o local e a disposição da arena, os abastecimentos, os voluntários, as várias entidades envolvidas, os nossos amigos, a amabilidade das pessoas nos abastecimentos.
Um dos aspetos a melhorar é a cor das bandeiras e fitas, o amarelo acaba por se confundir com a vegetação. Na Ultra EGT, temos de corrigir a distância e rever ou até acrescentar um posto de abastecimento.

Quais os acontecimentos que gostaria de salientar da prova deste sábado?
As duas partidas foram momentos de grande emoção, como também a chegada do último atleta. Foi importante verificar que todos estavam em segurança. Gostaria de salientar também o ambiente de festa que se criou, o convívio. Foram realmente dois dias fantásticos!

Quantos atletas participaram das três provas, a Ultra, o Trail e a caminhada? A participação ultrapassou a sua expetativa?
No total, cerca de 340 participantes, um número de acordo com as nossas expectativas e a nossa estratégia… Para a primeira edição, o risco foi calculado: gerir 300 atletas não é igual a gerir 600, por exemplo. Melhorando e reforçando alguns aspetos, percebemos que podemos dar o próximo passo.

Como é estar do outro lado? Prefere correr ou organizar eventos?
Estar do lado da organização é mais desgastante, é muita ansiedade… No entanto, no final, a satisfação é indescritível e há uma enorme vontade de repetir a experiência. Mas confesso que continuo a preferir correr as provas.

Até onde o Estrela Grande Trail poderá chegar? Acredita que teremos em breve alguns dos principais nomes na região Centro do país?
Temos de dar um passo de cada vez, mas acredito que a prova poderá ir bem longe… Existem todas as condições naturais para isso acontecer. A Serra da Estrela é de uma beleza ímpar, as pessoas, as tradições, a hotelaria, a gastronomia e todos os envolvidos na equipa EGT estão motivados e empenhados para dar esse passo.

armandoteixeiraQual a importância desta prova para a região?
A importância para a região é algo que nos move. Sabemos e sentimos as dificuldades das pessoas, a desertificação, a falta de emprego… Sem dúvida que uma prova desta envergadura tem um impacto económico significativo na região, não só nos dias do evento, como durante o resto do ano. Queremos que as pessoas regressem à Serra fora do evento.

E o que a Serra da Estrela tem para oferecer ao trail?
Os inúmeros trilhos marcados, a diversidade dos mesmos, vários níveis de dificuldade… Como referi anteriormente, a Serra da Estrela apresenta condições naturais muito próprias, uma beleza ímpar, as pessoas, as tradições, a hotelaria, a gastronomia, etc..

Qual o seu desejo para 2016 em relação ao evento?
Espero que seja mais uma vez uma festa e ver novamente rostos de felicidade e superação. Estar na meta à espera do último atleta é algo especial, é sentir que a nossa aposta valeu a pena!

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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