Armando Teixeira: «A Ronda Dels Cims é a prova de 100 milhas mais difícil que participei»

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Pela terceira vez consecutiva, Armando Teixeira estará na emblemática Ronda Dels Cims (leia aqui sobre a prova). Depois do sexto e do segundo lugares em 2013 e 2014, respetivamente, o português em Andorra como um dos nomes a ter em conta. Será desta vez que Portugal escreve o seu nome na lista de vencedores na prova?

 

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Ronda Dels Cims é considerada o Ultra-trail mais duro da Europa, com os seus 170 km e 13700 D+. Concorda?
Arrisco em dizer que a Ronda Dels Cims é a prova de 100 milhas mais dura da Europa: o desnível acumulado de 27000m, o terreno super-técnico, as elevadas altitudes onde a altitude média ronda os 2010m… Estamos perante quase todas as adversidades de uma prova de trail!

armandIrá competir pela terceira vez. Porque esta prova faz parte do seu calendário?
É verdade, este ano será a minha terceira presença mas espero não ficar por aqui! Simplesmente repito a minha presença porque adoro aquelas montanhas, além de ter uma excepcional organização! É sempre um desfio regressar.

Alcançou o segundo lugar na temporada passada, depois de um sexto em 2013. Esperava alcançar o resultado de 2014?
Neste tipo de provas longas e de dificuldade extrema não podemos antecipar resultados… Passamos por inúmeras situações durante a prova, são muitas horas em que o corpo e a mente estão sempre em busca de adaptações. Para os leitores dos CORREDORES ANÓNIMOS terem uma ideia, no ano passado só me apercebi que estava em segundo lugar aos 130 km. Na parte final, a 8 km da meta e quando tinha algum avanço para o terceiro e quarto colocados, recebi uma informação errada do percurso e fiz mais 4 a 5 km do que o previsto, o que fez com que terminasse em segundo ex aequo com ouros dois atletas…

Qual foi a diferença entre 2013 e 2014?
Em 2013, por causa do excesso de neve acima dos 2300m, o percurso foi alterado para cotas inferiores, mas, para manter os 13500m de desnível positivo, aumentaram a distância, passou dos 170 para os 184 km. Em 2014 o percurso foi o original.

No ano passado terminou a prova em cerca de 31 horas. Como foi a gestão da prova? Chegou a dormir em algum momento, por exemplo?
No ano passado terminei a prova com 31h20. Se não fosse o engano na parte final acredito que teria terminado com um tempo inferior às 31h.
Embora fosse a minha segunda presença, o percurso era totalmente diferente de 2013. Encarei a prova com muito respeito e tentei manter toda a estratégia pré definida por mim e pela minha equipa desde o início. No fundo, fiz a minha prova… Abstrai-me de resultados e classificações, aproveitei ao máximo aqueles trilhos. Mas temos de estar preparados para sofrer, são muitos quilómetros, muitas horas sozinho, em algumas partes do percurso a progressão é lenta… Estamos perante uma prova de alta montanha, onde as variações de meteorologia são constantes. Por exemplo, passamos dos 30 para os zero graus em poucas horas. Ventos, nevoeiro, zonas de neve onde temos de ter muita atenção… Também temos de lutar contra a privação ao sono. Neste tipo de provas, as paragens nos abastecimentos são muito reduzidas e não temos tempo para dormir. De salientar que todos estes fatores são agravados durante a noite. A progressão é muito mais lenta e muito mais perigosa.

Qual foi a importância do segundo lugar na sua carreira? Acha que alterou algo, pelo menos em termos internacionais?
O maior ganho do segundo lugar foi a nível pessoal, sem dúvidas, não tanto pela classificação, mas pela satisfação de ter terminado a temível Ronda Dels Cime com pouco mais de 31 horas. A nível internacional foi o solidificar da minha carreira, se assim o posso dizer!

 

 

Na altura referiu que era a prova «mais difícil» que tinha participado. Mantém essa opinião? Poderia descrever resumidamente o trajeto?
Nas provas de 100 milhas, mantenho a minha opinião. Mas a prova mais difícil em que participei foi sem dúvida os 330km do Tor de Geants, com 50000m de acumulado.
O trajeto da Ronda Dels Cims é bastante diversificado, mas sempre em terrenos muito técnicos, muitos sigle-tracks tecnicamente exigentes, ascensões a cumes por zonas de cascalheira, algumas zonas bastante expostas que requer perícia e equilíbrio, alguns troços acima dos 2500m normalmente têm neve, onde podemos cair ou escorregar com facilidade.

Ou seja, estamos perante um trajeto mais técnico do que físico.
Estamos perante um percurso bastante exigente, quer tecnicamente como fisicamente.

Como referiu, muitas vezes está sozinho durante vários quilómetros. Este é um dos desafios da prova?
Mesmo com muitos atletas pelo percurso, é normal percorrer alguns quilómetros, ou até algumas horas, sozinho. Recordo que, no ano passado, corri sozinho durante a noite. Foi uma parte do percurso onde os abastecimentos são nos refúgios da montanha. Só tinha contacto com as pessoas nos abastecimentos. É realmente mais um desafio.
Um das dificuldades da prova é a subida ao Comapedrosa, o ponto mais alto do percurso, com 2942m. A altitude é outro duro problema para os atletas?
A subida ao Comapedrosa tem tanto de dura como de fantástica. Em algumas zonas temos inclinações de 30%… Já no ano passado tive muitas dificuldades na sua ascensão, alguns vómitos e náuseas. Como não treino a estas altitudes, como não faço aclimatação, mais ainda quando estamos a levar o organismo ao limite, é normal sentir o efeito da altitude.

Então como devemos abordar a mesma?
A própria subida impõe a sua lei, mas temos de ser muito pacientes, pois a progressão é muito lenta. Em 2013 era um desconhecido, agora já não o é e o seu nome surge inclusive em algumas publicações como um atleta a ter em conta.

Sonha com o primeiro lugar?
Neste momento não sonho com as classificações, sonho em ser novamente finisher, fazer a minha prova. O que vier a mais virá por acréscimo!

 

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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