Ana Garcia Martins (Pipoca mais Doce): «Chegar ao fim, sobretudo nas provas, é uma sensação indescritível»

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Nascida em Lisboa em 1981, Ana Garcia Martins escolheu o jornalismo como profissão e via profissional, mas foi na blogoesfera, onde criou e deu a vida à Pipoca mais Doce, que se tornou numa das bloggers mais seguidas e comentadas pelos internautas portugueses. Já a corrida caiu-lhe assim como a modos no colo, uma espécie de presente de um marido que ela própria descreve como um “maluquinho das corridas” e que acabou por pegar-lhe o vício.

Ultrapassado o desespero e choro da primeira vez, objectivos não faltam a Ana Garcia Martins, a começar pela próxima e renovada Maratona de Lisboa, que acredita poder vir a terminar. «Preferencialmente, sem demorar oito horas», acrescenta.

Como foi que começou a correr?
As primeiras corridas foram há quatro anos, mas só nos últimos dois me tornei mais assídua. Sou casada com um maluquinho das corridas que é capaz de saltar da cama todos os dias às seis da manhã para ir correr. Nunca tinha percebido o fascínio, apesar de ele passar a vida a tentar convencer-me. Até que um dia decidi experimentar. A primeira corrida foi horrível, ao fim de 500 metros já só me apetecia atirar para o chão a chorar, mas depois foi sempre a melhorar.

Posso saber onde costuma correr e com que frequência?
Tento correr sempre junto ao rio, na zona de Belém ou no Parque das Nações, mas também gosto de sair de casa já equipada e ir a correr pelo centro da cidade. Quanto à frequência, é por fases. Tanto corro três ou quatro vezes por semana como depois sou capaz de parar um mês. Também depende se ando a treinar para alguma prova.

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Fixa objectivos? De que tipo? E qual é o próximo?
Sim, e acho que isso é importantíssimo para nos motivarmos e procurarmos sempre a superação. Lembro-me que o meu primeiro grande objectivo foi uma prova de cinco quilómetros, depois os sete quilómetros da Mini Maratona de Lisboa, depois os dez da corrida do Benfica. Este ano meti na cabeça que ia correr uma meia-maratona e acabei por correr duas, em dois meses: a Meia Maratona de Lisboa e a Meia Maratona dos Descobrimentos. Para mim isto era algo completamente impensável há um ano, nunca na vida pensei que seria capaz de correr 21 quilómetros. Para o ano tenho um objectivo maior, correr a Maratona de Lisboa. É um desafio que me assusta um bocadinho, mas acho que se me aplicar e treinar com método sou capaz de chegar ao fim. Preferencialmente sem demorar oito horas.

De que forma descreveria a sua relação com a corrida?
É uma relação de amor-ódio. Apesar de correr, acho que ainda não tenho o espírito de corredora, aquela coisa de sair de casa faça chuva ou faça sol só para ir dar uma corridinha. Custa-me ir, e sofro um bocadinho nos primeiros quilómetros, mas depois entro no ritmo e adoro aquela hora em que estou ali sozinha com os meus pensamentos e a minha música. E depois, claro, não há nada melhor do que a sensação de cumprirmos o objectivo a que nos propusemos, sejam 21 quilómetros ou apenas um. Chegar ao fim, sobretudo nas provas, é uma sensação indescritível e compensa todos os esforços e mais alguns. Muita gente me dizia que a corrida é viciante, e é mesmo verdade. Quando se entra neste mundo é difícil parar. E é engraçado que agora sou eu que ando sempre a ver o calendário das provas e a desafiar o meu marido para irmos.

Correr é prazer… ou sacrifício? Porquê?
As duas coisas. É um prazer porque, como disse, é um momento que nos permite alhear do que nos rodeia e concentrarmo-nos apenas em nós. E também gosto do espírito das corridas, das provas, das amizades que se fazem, do companheirismo que existe entre corredores, da superação, do facto de fazer bem ao corpo e à mente. Mas claro que também é um sacrifício, porque implica esforço e dedicação. Praticamente qualquer pessoa pode correr, é um desporto bastante democrático, mas também é preciso alguma resiliência.

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Pedro Alves

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