«O ALUT não é e nem nunca poderá ser uma prova de massas»

Emoção! Esta é, segundo a organização, a palavra que melhor descreve o ALUT – Algarviana Ultra Trail, que revela que, no próximo ano, o número de inscrições não deve ser superior a deste ano, ou seja, 60 atletas.

 

O ALUT foi como esperavam?
Não! O ALUT – Algarviana Ultra Trail foi muito melhor do que esperávamos. É algo que não se explica! Sente-se! Ou estávamos lá ou, por mais que nos contem, por mais que vejamos vídeos e fotos, por mais posts e publicações… Não o sentimos se não estivemos lá, nunca o saberemos! Por exemplo: as imagens que infelizmente não foram registadas como o envolvimento das populações, o apoio e os aplausos das famílias e público em geral nos cruzamentos de estradas…

Podemos ver todas as imagens que quisermos, ler todos os textos que nos fizerem chegar, mas, se não estivemos lá, não sentimos, não recebemos aquilo que os olhares dos atletas nos dizem. Não há imagem que transmita o que quer dizer aquela lágrima contida no canto do olho ao cruzar a meta, aquele beijo na medalha de finisher, aquele olhar de quem quer por tudo o que existe no mundo continuar em prova mas já não consegue ou o seu equipamento já não permite.
Sentir a dor do atleta que já não aguentava as dores do corpo, daquele que teve que deixar o amigo na base de vida e seguir a prova sozinho, do que sucumbiu ao frio que se fazia sentir, do que viu o seu GPS deixar de funcionar, do que se viu obrigado a carregar no botão que ninguém queria carregar… Nós sentimos isso tudo, sentimos com uma força avassaladora. Somos todos atletas, previmos um elevado número de desistências, mas ainda assim… ainda assim nos surpreendemos! Surpreendemos com a capacidade de superação e resiliência destes bravos e destemidos aventureiros.

ALUT crescerá de forma sustentável

Ou seja, uma prova acima de tudo emocional?
O ALUT – Algarviana Ultra Trail revelou, acima de tudo e de qualquer outra coisa, ser uma prova de sentimento e partilha, não apenas uma prova de atleta para atleta, mas uma prova de ser humano para ser humano. Mais do que um evento de competição desportivo, um momento de superação e interiorização pessoal.
Por mais planeamento que tivéssemos feito, do plano A ao plano ZZ, não estávamos preparados para este turbilhão de emoções. Emoções reais, emoções vividas, sentidas, emoções humanas na sua mais pura essência!
Os abraços de quem cortou a meta, os abraços de quem não cortou a meta, todos e cada um deles superaram as nossas mais positivas expectativas.

Até que ponto a prova pode crescer para o próximo ano? Teremos mais atletas? Até quantos corredores a prova consegue suportar?
A prova poderá crescer, mas sempre de forma sustentável, sem nunca esquecer os princípios basilares de respeito pela natureza e populações envolvidas. Não é e nem nunca poderá ser uma prova de massas sob pena de se perder todo o processo de interiorização e superação pessoal pelo qual os atletas passam. Para já é expectável que se mantenha o mesmo número de vagas disponíveis para as inscrições da edição 2018 do ALUT – Algarviana Ultra Trail.

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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