As 72 horas mostraram-se adequadas para a conclusão do ALUT

Cerca uma semana e meia depois da realização do ALUT – Algarviana Ultra Trail, a maior prova em extensão de Portugal, a organização do evento, através de Bruno Rodrigues e Germano Magalhães, não esconde a sua satisfação pelo que viveu e pelo que viveram os atletas e a população local. Entre hoje e sexta-feira publicaremos uma entrevista que faz o balanço de uma prova que veio para ficar no calendário nacional, mas também no calendário europeu e mundial.

 

Após a primeira edição, qual o balanço que fazem do ALUT?
O ALUT – Algarviana Ultra Trail é aquilo que os atletas, entidades e público em geral dizem ser. O que nos tem chegado é que esta primeira edição foi um sucesso. Queremos acreditar que sim, que quem o diz, diz com sinceridade e sentimento.

No que respeita ao nosso objetivo desportivo, tivemos entre nós 60 atletas pioneiros com a coragem de se inscrever e participar desta aventura épica de superação pessoal. No total, 60 atletas de 6 nacionalidades distintas, que esgotaram as inscrições a 3 meses do início da prova. Tivemos atletas reconhecidos como dos melhores a nível regional, local, nacional e internacional. A competição não poderia ter sido mais disputada! Em acréscimo tivemos a presença da Ester Alves, consagrada atleta portuguesa que acompanhou a prova do início ao fim, realizando alguns treinos e convívios ao longo do evento.
Quanto aos restantes objetivos a que nos propusemos, tínhamos como meta a projeção ao mundo de todas as potencialidades turísticas do interior algarvio, suas culturas e suas gentes, contribuindo de forma ativa e efetiva para a dinamização das economias mais desfavorecidas, para o combate da sazonalidade e para coesão territorial. Concluímos esta primeira edição do ALUT – Algarviana Ultra Trail com um elevado sentido de Dever cumprido!

O que mais surpreendeu a organização?
Ver os cruzamentos de estradas não só com amigos e familiares, mas com público que esperava para bater palmas à passagem dos atletas, foi algo que nos surpreendeu.
Mas surpreendeu ainda mais o envolvimento das populações locais. Em muitos dos casos, a alimentação das bases de vida servida aos atletas foi confecionada pelas próprias populações. Aldeias isoladas do interior em que os seus habitantes, pessoas de idade, mantiveram-se acordados toda a noite, à porta de casa, para ver os atletas passarem. Alguns até deixaram nos muros de suas casas garrafões de água e alguns petiscos para os atletas. 

 

Partida em Alcoutim da primeira edição do ALUT – Algarviana Ultra Trail60 atletas de 6 nacionalidades percorrem a Via Algarviana em 300km de prova que liga o Algarve de ponta a ponta. A prova arranca hoje e termina no domingo no Cabo de São Vicente.#alut #algarvianaultratrail #turismodoalgarve #turismodeportugalRegião de Turismo do AlgarveVisitAlgarveTurismo de PortugalVisit PortugalATR – Algarve Trail Running

Publicado por ALUT – Algarviana Ultra Trail em Quinta-feira, 30 de Novembro de 2017

 

Ou seja, objetivos mais do que cumpridos?
Foram mesmo cumpridos e o balanço desta primeira edição não poderia ser melhor. Recebemos pessoas do Algarve e de outros pontos de Portugal, que não deixaram de demonstrar um profundo agradecimento por termos dado a conhecer um Algarve que não faziam ideia que existiam, todo ele ligado por uma infraestrutura pública, gerida e mantida pela Associação Almargem, a Via Algarviana.

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E como decorreu a prova durante os três dias? O que poderiam falar da corrida em si?
O pelotão da frente manteve-se sempre constante e os primeiros lugares foram logo definidos no primeiro terço da prova. A partir de então foi apenas gerir o espaçamento entre os atletas.

Do ponto de vista do desafio, o maior deles terá sido o clima. Foram noites muito frias, com sensação térmica a rondar os – 5º C em zonas como Cachopo, Picota ou Foia. No entanto, esse frio era compensado pelo calor humano que os atletas encontravam nas povoações por onde passavam e onde estavam situadas as bases de vida.

Como previam, dos 60 atletas, terminaram a corrida 17. As 72 horas como limite são poucas para a conclusão do ALUT?
Pelo contrário, as 72 horas mostraram-se adequadas. Nenhum atleta ficou de fora por corte horário no final da prova.

As desistências deveram-se sobretudo à dureza da prova, afinal, o Algarve não é só plano! O “serrote” ou “parte pernas”, a subida de Silves a Monchique, o frio intenso, a escolha de equipamento e, sim, alguns cortes intermédios nas bases de vida, foram os fatores mais influentes nas decisões de desistência da prova.

 

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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