Vómitos marcam o percurso da Ultramaratona Caminhos do Tejo

A aventura começou. António Lopes foi um dos participantes da recente Ultramaratona Caminhos do Tejo, 144 km entre Lisboa e Fátima. Este é o segundo dia d´«A Semana entre Lisboa e Fátima», o cronista revela os momentos que antecederam a prova. 

 

Começamos debaixo de uma temperatura sufocante em três grupos que se destacaram logo nas primeiras centenas de metros: um avançado, no qual desde o início liderou o atleta Carlos Mendes, de O Mundo da Corrida, cuja prova venceu, outro grupo onde me incluía e um outro mais à retaguarda.

Neste primeiro troço de percurso fomos numa “converseta” pegada, a trocar impressões sobre provas e afins. Íamos a um ritmo muito confortável, de 5m45/km.

Chegado ao primeiro abastecimento, e após já ter saboreado alguns dos mosquitos que rondam as zonas limítrofes do Trancão, comi e bebi alguma coisa e não perdi muito tempo. Estavam feitos 19 km e sentia-me muito confortável, apesar do calor se fazer sentir com alguma generosidade.

Saí da Praia dos Pescadores em direção a Vila Franca de Xira e deixei o grupo do meio, que, entretanto, já se tinha fracionado. Segui sozinho.

Cheguei ao abastecimento número dois, aproveitei para descansar e conversar um pouco e ligar para a minha mulher, a dizer que estava tudo bem. Até ao momento, 32 km feitos em cerca de 3h30. Estava contente, siga para Azambuja… 

É hora de vomitar na Ultramaratona Caminhos do Tejo

A partir daqui, e apesar de fisicamente ainda me estar a sentir bem, dei pelo meu corpo a rejeitar os sólidos. E, uns quilómetros mais à frente, notei que, para além de não aceitar sólidos, também os comecei a rejeitar: “Bolas: vomitei!” No entanto, deixei de sentir a sensação de desconforto que se tinha acumulado no estômago. Pensava que era um contratempo.

Andei umas centenas de metros até sentir o corpo estabilizar, bebericando água e um gel para compensar. Mas não é que a coisa se revoltou novamente? Gel, água e tudo o que mais tinha vieram pisar novamente o chão. «Bolas e novamente bolas, não estou a gostar nada disto!»

Refleti em como me podia adaptar aquela situação e comecei a fazer 400 metros de caminhada e 600 metros de corrida, sempre a beber água durante o percurso. Só o simples facto de pensar em comida dava uma má disposição…

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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