UTAX: uma prova para não esquecer pelos piores motivos

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Mais de uma semana depois do UTAX – Ultra Trail Aldeias do Xisto (110 km – 6000 D+), Júlia Conceição ainda não esqueceu a prova que percorre a Serra da Lousã, já que foi desclassificada. A atleta admite o seu erro, mas não escondeu a sua frustração nas redes sociais, principalmente devido a organização do evento, que ficou muito a desejar segundo a sua opinião. «Só quero referir o seguinte: num evento em que existem duas provas ou mais a percorrer os mesmos trilhos, tem de estar um elemento da organização a indicar qual o desvio a tomar. Enganei-me, eu e outros! Está à vista que assim não funciona. Pagando o valor de 60 euros, penso que é o mínimo que poderíamos esperar, já para não falar da falta de controlo em muitas partes do circuito. Para ser uma Taça de Portugal não correu nada bem. Já pratico Trail há seis anos e nunca me aconteceu uma coisa destas (desclassificação)», escreveu no Facebook. Aqui fica o seu relato do que aconteceu, numa crónica dividida em duas partes (a segunda será publicada na terça-feira).

 

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Foi há muito tempo que fiz a minha última competição: estávamos em fins de setembro de 2015, quando participei no Grand Trail Serra d’Arga.

Não estando muito bem, mas querendo dar o meu melhor, parti com toda a vontade e energia que tinha, esquecendo por alguns instantes de que levava o meu organismo debilitado, já que, dias antes da prova, fiquei com uma infeção após ter partido a raiz do dente (aquando da realização do Grand Trail Serra d’Arga, estava a fazer antibióticos para depois o extrair).

Resultado: não tive forças para competir ao mais alto nível e acabei a prova no sexto lugar da classificação geral feminina. A partir dessa data não fiz mais nenhuma competição em concreto, apenas treinei e vigiei a minha saúde até finais de outubro de 2015.

12903698_1136420429741498_92320484_oTendo como meta a participação no UTAX – Ultra Trail Aldeias do Xisto (110 km – 6000 D+), os treinos começaram em novembro de 2015. Foram inúmeros e duros, com muitas horas de dedicação, muitas vezes sozinha no Monte, onde sacrifiquei-me ao sabor do frio, da chuva, da neve e de tempestades.

Hoje recordo que passei por noites geladas, mas mesmo assim obriguei-me a continuar para alcançar o tão ansiado próximo abrigo. Tive de ser forte quando por vezes era muito difícil. Muitas lágrimas, muitas dores, mas sempre mantive a resistência e a confiança.

Os meus treinos, resumidamente, passaram por corrida, ginásio, descanso e alimentação, num trabalho orientado pelo meu treinador, José Carlos dos Santos, cujos métodos e planos sigo à risca desde junho de 2015. Evidentemente com a ajuda do meu amor, que me atura e que me apoia a 100%, e os meus filhos, que me encorajam e que me dão muita força para continuar com estas loucuras e sonhos.

Ao longo do tempo contei os dias para o UTAX, já que estava ansiosa por competir. Registei por exemplo ao pormenor tudo o que fiz, desde os treinos à nutrição, mas também o descanso, além de outros dados que fazem parte da preparação específica para uma corrida com estas caraterísticas.

Chegado o dia, sabia que tudo iria correr bem, pois tinha feito todo o trabalho de casa e não falhara em nada. Estava portanto confiante e tranquila, ainda mais depois da força e coragem transmitida pelas várias pessoas que sempre acreditaram em mim durante a preparação. Portanto, antes da partida, tudo parecia correr bem.

Tinha finalmente chegado a hora, a minha hora.

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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