Uma semana dedicada ao Ultra “Survivor” do Sicó…

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«Ultra Trail de Conímbriga Terras de Sicó? Não, Ultra “Survivor” do Sicó!». Foi deste modo que Carlos Charrua batizou a competição que marcou o Trail neste início de temporada em Portugal, tudo devido às diabólicas condições atmosféricas vividas pelos atletas na prova. Ao longo da semana publicaremos as memórias de Charrua, que terminou a corrida dentro de uma ambulância. Acompanhe-nos portanto n´«A Semana do Ultra “Survivor” do Sicó».

 

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Como se 111 km e uma serra não fossem desafios suficientes, fomos brindados no Ultra Trail de Conímbriga Terras de Sicó com vento, chuva (muita chuva…), nevoeiro, granizo, neve, estradas que viraram rios, ribeiras com água gelada até quase à cintura e por aí adiante…

Não fui à tropa, é certo, e alguns até dirão que passaram por lá bem pior, mas, no meu caso, como aliás aconteceu com outros com quem me cruzei ao longo de várias horas, foi seguramente a “coisa” mais difícil e penosa que já fiz até hoje.

Roo-me de inveja ao saber que houve atletas que conseguiram fazer a prova sem luvas, sem gorros, com pouca roupa, a sério que isso me espanta. Eu andei perto de 15 horas a bater os dentes e quase outras tantas sem sentir as minhas mãos…

Depois de, no ano passado, ter cumprido uma série de Ultras na casa dos 60, 65, 70 km e de ter alcançado alguns resultados de destaque, este ano decidi subir a fasquia e propus-me a fazer o Campeonato de Ultra Trail Endurance, onde a maioria das provas têm mais de 100 km. Coloquei os 115 km do MIUT como o ponto alto da época.

Assim, e com a preciosa ajuda dos profissionais do O2 Life Center, organizei cautelosamente o calendário de 2016, com a Ultra Trail de Conímbriga Terras de Sicó a entrar no meu calendário desportivo como uma prova de longa distância que tinha como objetivo ser realizada em modo de treino, já que apresenta muitas partes “rolantes”, não me provocando, por exemplo, tanto desgaste como se fosse correr a UTAX, uma prova certamente mais dura e agressiva nesta altura do ano.

«Ai sim? Fugiste do UTAX? Então toma lá… Agora levas é com um Sicó que não lembra nem ao Diabo e “carregas com uma carroça” para casa que, enquanto te lembrares, até foges das sapatilhas.»

A verdade é que o dia da prova não diagnosticava nada de bom, já que tinha dores de barriga e diarreia, o que antevia logo de início dificuldades extras. Para piorar, dez minutos antes da partida, São Pedro decidiu fazer das suas: enviou uma “senhora” chuva, “geladinha”, tal como prometido aliás pelas previsões meteorológicas.

Mas pronto, lá foi dado o tiro de partida e comecei uma corrida que ficará para sempre na minha memória, tudo porque a categoria de prova de Ultra Trail Endurance foi elevada a prova de superação, de sobrevivência, onde literalmente foram postos à prova todos os meus limites.

 

FOTO: fotosdoze.com (No Facebook)

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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