Uma corrida semanal que atravessa o Oceano Atlântico

brasilportugal

O Corredores Anónimos começa hoje uma parceira semanal com Belino Coelho, brasileiro, evidentemente apaixonado pela corrida e treinador de fundistas, maratonistas e ultramaratonistas. O nosso intuito é unir Portugal e Brasil através da modalidade, tornar o “Ultra Trail Oceano Atlântico” em uma distância de 100 metros. Na sua crónica semanal, Belino Coelho tem como objetivo falar sobre o fenómeno da Corrida em si, mas também dar conselhos para os leitores e revelar a cultura da corrida no seu país, já que a troca de informação é algo crucial no Mundo de hoje. O tiro de partida é dado hoje. Agora, todas as terças-feiras, teremos um corredor brasileiro a correr connosco. De referir que a sua passada será o português do Brasil…

 

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Na última década, um dos esportes que mais cresce em todo mundo é a corrida, haja vista a participação de milhares de atletas amadores em meias maratonas e maratonas que acontecem nos quatros cantos da terra. Isso se deve muito ao fato da corrida ser um esporte de fácil acesso, com investimento baixo, que pode ser realizado sozinho e em qualquer lugar que esteja.

No Brasil, esse “boom” da corrida se deu por volta do ano 2000, onde o número de corredores cresceu absurdamente, criando oportunidades para que mais corridas fossem organizadas e favorecendo o surgimento de inúmeras assessorias esportivas especializadas em treinamento de corrida, que até então existiam em pequena escala.

As Assessorias Esportivas no Brasil oferecem:

 Planilha de treino, direcionada para a sua condição e objetivo;
 Treinamento em local público, tais como praça, parques, praias, estradas ou espaço particular;
 Água, isotônico e frutas nos treinos;
 Auxílio e supervisão de um treinador e auxiliares durante o seu treino;
 Auxílio supervisão e acompanhamento em provas dentro ou fora do Brazil;
 Possibilidade de fazer novas amizades e treinar em grupo;
 Treinamento à distância para aqueles atletas que moram em outro estado, cidade, Pais ou que não tenham tempo de estar presente aos treinos. Nesse caso é enviada somente a planilha de treino

O último tópico que citei, “treinamento a distância”, funciona bem, mas exige muito mais do atleta na questão da disciplina, força de vontade, motivação e, principalmente, do relacionamento e comunicação entre atleta e treinador e vice-versa. Eu, por exemplo, treino atletas que moram nos Estados Unidos, Inglaterra, Cingapura, Vietnã e Portugal, cada qual com o seu objetivo e condição.

belmiro

Recentemente, tivemos uma atleta que treinava conosco no Brasil mas que resolveu mudar-se para Portugal, a fim de ficar mais próxima da família. Ela acabou optando em seguir nossas orientações, mesmo a distância, porque percebeu que em Portugal não existe Assessoria Esportiva especializada nessa área da corrida, mas Grupos de Corrida que se encontram para correrem juntos ou treinadores que te passam um treino e você o executa sozinho.

A grande dificuldade, citada por ela, está em treinar nos dias em que há ventos muito fortes, já que o rendimento acaba sendo pífio e sofrível em função da força que você faz para correr, forçando-a treinar em esteira (ela odeia correr em esteira), mas também pela falta de conhecimento da existência de outros parques que tenham um espaço amplo, com quilometragem grande ou outros trajetos que tornem a corrida mais motivante. No Brasil, muitos corredores ficam desmotivados quando o percurso é pequeno porque exige que se faça várias voltas para cumprir a distância exigida pelo seu treinador.

De qualquer forma, treinar com orientação a distância não é fácil, mas nossa atleta está em fase de adaptação em Portugal e logo mais encontrará novos percursos, fará novas amizades com corredores e tudo se tornará mais fácil, com os treinos fluindo dia após dia para que a Meia Maratona de Lisboa, que acontecerá em Março de 2016, seja concluída de forma prazerosa, sem sofrimento, sem lesão e com aquela sensação de quero mais.

Com esse texto, e a oportunidade de treinar do Brasil uma atleta que mora em Portugal, peço licença para atravessar o oceano e levar a vocês, portugueses, um pouco da nossa cultura e conhecimento nesse esporte apaixonante e viciante que é a corrida.

E, para começarmos o nosso relacionamento, você sabe o que é overtraining? Como ele acontece? Quais os sintomas? Como evitar? O que fazer para reverter esse quadro? Não sabe? Então não perca na próxima crónica o nosso artigo falando sobre esse grande vilão que pode tirar você de campo. Ou melhor dizendo: das pistas.

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Pedro Alves

Pedro Alves

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