Uma corredora no outro lado da corrida

 vidacorrida

Valeria Spakauskas tem 47 anos e é formada em comunicação social. Instrutora de Yoga, começou a correr há sete anos. A «maratonista com pretensões de Ultra», como admite, escreveu para o Jornal Corrida como é estar do outro lado, um texto que a brasileira disponibilizou para o CORRERDORES ANÓNIMOS.

 

«Recentemente participei da produção do Circuito Vida Corrida, que teve três etapas: Ribeirão Preto, São Paulo e S. J. dos Pinhais. Foi minha primeira vez nos bastidores de uma organização. Resolvi escrever sobre isso, porque nós corredores, não fazemos ideia do outro lado de um evento de corrida.

A produção de uma corrida começa muitos meses antes. Quanto trabalho! Quantas pessoas envolvidas… Tantos detalhes! Nós, corredores, pegamos o kit, reclamamos da fila, vamos embora e no outro dia, é só chegar cedo, pegar o chip, esperar a largada e correr… Mas para quem organiza uma corrida, começa muito antes. Nem vou citar a autorização da prefeitura, o percurso, a confecção das camisetas, banners e medalhas, porque seria um texto muito longo, mas vou falar da véspera, da montagem da arena, do percurso, da preparação para a distribuição dos kits, do espaço vip.

circuitoA gente que corre nem faz ideia do perrengue que antecede a corrida. São tantas pessoas envolvidas, tantos detalhes, tantos profissionais. Tudo tem que estar perfeito para que o evento aconteça. Eu fiquei encantada com tudo isso, a correria do lado de cá do balcão. Eu me vi em cada corredor que chegava ansioso para a prova, com aquele brilho no olhar… A cada kit entregue era um sorriso! Gente, que bárbaro! A satisfação é enorme, parece que vamos correr junto. Olhar a corrida acontecendo com outros olhos, ver a largada, a chegada dos primeiros, a conquista dos últimos… As medalhas no pescoço. Sempre é a primeira corrida de alguém. As fotos. A cara de satisfação e de missão cumprida!

Eu adorei tudo. A energia das pessoas montando as tendas, todo mundo alegre, de boa. Cada um fazendo sua parte, na maior boa vontade. Uma vibe sensacional. A gente nem imagina quanto trabalho antecede um evento. O lanche, a confecção de cada saquinho, a decoração da arena, as poltronas, a área da massagem. Tudo organizado na véspera, as flores, os vasos, os banners, o pódio! Os cones no percurso, as faixas.

Acordamos muito, muito cedo, chegamos na madrugada no dia do evento, uma escuridão. E aos poucos, as pessoas vão chegando, os staff, os fornecedores, os caras do som… A energia vai ficando cada vez mais forte, a ansiedade de ver tudo acontecendo da melhor maneira possível… Os corredores chegando aos poucos, a fila do kit se formando, depois a fila do guarda-volumes. A largada… Os corredores chegando, a entrega das medalhas, o lanche… A premiação.

E depois, quando todos voltam com suas conquistas para casa, começamos a desmontar e guardar tudo, embalando, encaixotando… Mas com a sensação de dever cumprido, a satisfação de tudo ter acontecido exatamente do jeito que esperávamos. Tudo deu certo, tudo se acertou. Um trabalho de equipe, mas de uma equipe muito bacana, sincronizada, amiga. Não sei se em outros eventos isso é assim, mas nesse que participei, durante as três etapas, foi exatamente isso. Uma união perfeita, todos se ajudando. Todos juntos para que a corrida acontecesse no seu melhor! E assim foi… A mesma alegria de correr, a mesma alegria ao produzir uma corrida. Assim como fazer yoga e dar aula de yoga. Estar do outro lado é fantástico, uma experiência ímpar!

A cada rosto feliz, uma medalha pendurada no pescoço.

Posso dizer que participar do lado de cá do balcão é tão bom quanto correr.

A satisfação é imensa! Muita doação, muita energia, todo mundo dando o seu melhor. Aquele alto astral logo cedo…

Acreditem… Na próxima corrida que vocês participarem, deem um sorriso para o staff! A equipe de produção! Eles realmente se esforçaram para tudo acontecer da melhor maneira possível para cada um de vocês.

E boas corridas, meus amigos! Quem sabe na próxima, eu esteja entregando o kit para você. Será um enorme prazer! Será uma grande honra!

Namastê!!!»

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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