Pedro Conde vive uma experiência bipolar na Ultra Fiord

Pedro Conde viveu uma “aventura bipolar” no Ultra Fiord na Patagónia, no Chile (170km – D+ 8000). Correu num dos locais mais bonitos da sua vida desportiva, «algumas foram mesmo as mais bonitas», mas confrontou-se com uma organização que «não faz jus de maneira nenhuma ao ovo de ouro que tem nas mãos». Hoje e amanhã, terça-feira, dia 10 de abril, publicaremos a sua crónica

 

Estava previsto fazer a prova dos 170 km (100 milhas) mas, na véspera e devido ao mau tempo, a prova foi encurtada para 110 km e alterado o local de partida. O novo local era já dentro do Parque Nacional Torres del Paine, local fabuloso. Chegados lá, reunimos a comitiva portuguesa, o António Franco e a Anabela Pombeiro, tiramos umas fotos e aproveitamos para conversar naquele período antes de ser dado o início da corrida!

Os primeiros quilómetros levaram-nos a 900 metros de altitude, a um dos locais mais bonitos que vi (tenho pena de não ter registo fotográfico…). Paisagem de fiordes a serpentear as inúmeras montanhas cobertas de neve fresca e vários glaciares, mesmo ao nosso lado. Fantástico!

O número mágico de Pedro Conde na Ultra Fiord
O número mágico de Pedro Conde na Ultra Fiord

Depois desse local começou a aventura propriamente dito. Entrámos num “bosque encantado” com lama, lama e mais lama. Foram dezenas de quilómetros a enterrar pés, muitas vezes acima do joelho. Cair era uma constante, era impossível correr e o desgaste muscular foi enorme. Água gelada em vários cursos de rio e alguns atletas sofreram quedas motivadas pelas pedras no fundo, bastante escorregadias.

Um KM vertical a subir de “4” na Ultra Fiord

A juntar a essas dificuldades, a organização complicou mais e, quando chegámos ao local onde estava previsto o primeiro posto de abastecimento, não existia nada. Os restantes, até ao km 55, só tinham praticamente água e uns pacotes de bolacha cheias de creme, todos sem qualquer abrigo do frio. Algo muito mau!!! O preço da inscrição desta prova é quase o triplo do UTMB, provavelmente é a prova de 100 milhas mais cara do Mundo!

O percurso da Ultra Fiord
O percurso da Ultra Fiord

Ao km 40 começámos a subir a grande montanha do dia. Apesar de ser 1 KM vertical em pouco mais de 4 km, a parte final, com a neve que caia, o frio e o vento, tornaram a subida demolidora. Pedras soltas, areia e neve gelada obrigaram a subir de “4” e, mesmo assim, foi extremamente difícil e perigoso, já que uma queda podia nos trazer bastantes metros para baixo. Ao chegar ao topo, só um montanhista a controlar os tempos de passagem, não havia ninguém para o caso de ser preciso ajuda, ainda mais quando as condições eram terríveis!

A beleza da Ultra Fiord é absolutamente absorvente
A beleza da Ultra Fiord é absolutamente absorvente
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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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