Atleta português entrou em pânico após se perder

José Manuel Mota relata no quarto dia d´”A Semana das 73h16m35” a última parte da sua corrida na Trans360º, com 265 km e um desnível positivo de 16500 metros. Dois momentos marcam o desfecho da sua aventura: o pânico após perder o trilho e não ter dormido na última base vida, de Santa Lúcia.

 

No quilómetro 220, mais uma vez perdido devido a uma perda de sinal, que já sabíamos que aconteceria por termos sido avisados no reabastecimento anterior. Juntei-me a um atleta, passámos a ser dois, mais de uma hora “em círculos”. A custo reencontrámos a rota. Às 22h00 chegada à base vida de Santa Lúcia, a última. Já só pensava na meta e não quis dormir. Cometi um erro!

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Comi uma boa massa com frango, reabasteci bem de água e vesti roupa, já que íamos subir e estava frio. Aí fui para a derradeira etapa. Passada três horas numa zona bastante técnica, passei pelo pior momento da minha prova. Sozinho e com algum nevoeiro, perdi o trilho e entrei em pânico. O GPS perdeu o sinal, não reconhecia nada por onde tinha passado. Parei para vestir mais roupa, porque estava realmente frio e não queria arrefecer.

Tomei uma direcção para reencontrar o trilho, nada… 180° para trás e… nada! Outra direcção oposta e, finalmente, reencontrei o trilho. O GPS marcava bem. Senti um grande alívio e segui mais calmo, sempre em zona de alto risco, com grandes precipícios e momentos de pura escalada.

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Passada a parte complicada, comecei a descida e relaxei de tal forma que “entrou” o sonho. Vesti toda a roupa que tinha e dormi numas pedras. Acordei com o aproximar de dois atletas, que pararam e esperaram por mim. Seguimos juntos. A 10 km da meta, a areia da praia. A progressão era difícil mas já tinha na cabeça que a meta estava ao meu alcance. Passei o Farol e sabia que faltava um quilómetro.

Estou na meta, terminei! É incrível as emoções que temos nestes momentos, que alegria, “MISSÃO CUMPRIDA”!!!!

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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