Como correr 50 km em 13 horas…

No terceiro dia d´”A Semana das 73h16m35”, José Manuel Mota narra como foi parte da sua prova, como demorou cerca de 13 horas para ultrapassar 50 km, como a primeira falha do GPS aconteceu, numa prova onde o aparelho é uma espécie de orientador, como correu centenas de quilómetros da Trans360º, com 265 km e um desnível positivo de 16500 metros, completamente sozinho…

 

Na minha opinião, estas grandes provas, com grau de dificuldade maior, começam muito antes do sinal de partida. Sempre que possível gosto de ir uns dias antes, estar relaxado no local, preparar tudo antes, adaptar o meu corpo ao meio e fazer pequenos treinos de reconhecimento do trajeto.

A prova teve início às 9h00, com os primeiros quilómetros a decorrer com muitos atletas já a formar pequenos grupos. Juntei-me com um onde íamos três portugueses. Percebi de imediato que teria de aumentar o meu ritmo. Avancei e adaptei um pouco a minha cadência até que me juntei a outro grupo, mais pequeno.

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Fui com eles e, de seguida, entrámos na primeira grande subida da prova, ao km 15. O grupo se partiu, seguimos quatro até à última subida antes da primeira base, Garanon. Aqui parei para comer alguma coisa e perdi o grupo. Fiquei só!

Fiz a subida por entre escarpados com alguma escalada pelo meio e, logo a seguir, estava no primeiro reabastecimento, no 39.º quilómetro. Se havia dúvida do grau de dificuldade da prova, com esta subida ficámos esclarecidos…

Comi uma boa sopa e massa com carne, abasteci o recipiente da água, mudei de meias e preparei-me com roupa e impermeável para os próximos 50 km. Logo a sair tivemos a anunciada chuva, já esperada por todos. A noite estava próxima e tinha planeado fazer o primeiro descanso na segunda base de vida, La Aldeia, ao quilómetro 98, o que tal sucedeu às 4 da manhã, bastante mais tarde do que o previsto.

Duas horas de descanso entre dormir, comer e preparar o reabastecimento. Às seis da manhã, saída para a etapa seguinte, com mais 50 km. Nesta fase fui com um pequeno grupo, já que um pouco de companhia também se agradece…

Entrámos no km 115 com uma subida em escala pura, mais de 1h00 para fazer cada quilómetro, uma distância para ultrapassar com calma e paciência. Terminada a parte mais técnica, o grupo partiu-se e novamente avancei sozinho.

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A primeira perda significativa do sinal do GPS aconteceu um pouco depois, após uma descida de mais de um quilómetro. Olhei para o GPS e ele acusava que estava fora da rota. Estranhei, voltei atrás ao ponto onde tinha mudado de direção e concluí que estava bem, que tudo tinha sido uma perda de sinal.

A hora prevista de chegada à nova base de vida, da Guia, ao km 150, foi mais uma vez ultrapassada, 13 horas para fazer 50 km…

Optei por dormir, o que inicialmente não tinha previsto. Após 1h30 de descanso, saí para a segunda noite. Fui com outro atleta mas, passado 20 km, ficou para trás e não esperei. Cheguei às 7 da manhã à base de Valsequilho, no km 195.

Tomei um bom banho, mudei de roupa, tratei um par de bolhas com algum material que tinha na mochila, reabasteci de água e estava preparado para a seguinte fase, de 40 km…

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Pedro Alves

Pedro Alves

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