«É essencial manter a calma até retomar a rota certa»

Para participarmos de uma prova com as dificuldades da Trans360º, com 265 km e um desnível positivo de 16500 metros, a preparação é a alma da corrida. No segundo dia d´”A Semana das 73h16m35”, o «maluco» José Manuel Mota revela o que fez de diferente para estar em boa forma para a corrida, como o ser obrigado a correr com GPS.

 

A minha inscrição surgiu através de um convite, entre aspas, da organização pelo facto de já ter participado na Transgrancanaria 125km. Como gostei muito da ilha, decidi inscrever e esperar ser selecionado, o que aconteceu em julho do ano passado.

A minha preparação começou a partir daí. A Tahoe 200 Endurance Run Ultra já teve como pensamento a Trans360º, em especial preparar a navegação com GPS. Apesar do percurso estar marcado, a organização da Tahoe 200 Endurance Run Ultra aconselhava levar GPS.

Portanto, podemos dizer que a preparação para a Trans360º teve a duração de sete meses, entre 70 e 100 km por semana, dependendo das provas que tinha e das distâncias das mesmas. Obviamente, com algum interregno pelo meio…

O que fiz de diferente na altura foi treinar sempre que possível com GPS em zonas desconhecidas para poder ambientar-me à navegação. Também levava o GPS para as provas. Outra preocupação foi procurar treinar em percursos com bastante desnível acumulado.

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Em relação ao treino noturno, a preparação foi fácil. Trabalho muitos dias até às 19h00, ou seja, no Inverno já era de noite. Como tenho a vantagem de estar muitas vezes perto de zonas montanhosas, em 45 minutos de carro colocava-me na montanha. Treinava entre duas a três horas e voltava por volta das 23h00, meia-noite. Diziam que estava louco, mas não me importava!

A navegação com GPS, mais do que uma dificuldade, foi uma preocupação. Se estivermos sempre concentrados e obtivermos o sinal, navegar não é difícil, mas, como é óbvio, nem sempre é possível. Por isso, é normal sairmos do trajeto ou perdermos a receção do sinal. Para ultrapassar estas dificuldades, além do treino intenso, é essencial tentar manter a calma até retomar a rota certa, o que nem sempre é fácil.

Outro dado a reter é a mochila, que, para estas provas, tem que ter capacidade para todo o material obrigatório e necessário, além de ser ajustável de modo a que possamos estar confortáveis, tendo sempre à mão o que mais necessitamos. O conteúdo, para além do obrigatório, foi essencialmente alguma comida energética, géis, barras e compotas desidratadas de fácil preparação com água fria. Também é fundamental levarmos alguma roupa para uma emergência.

Parti para a prova com o principal objetivo de terminar, com o intuito de fazer o melhor resultado possível sem estar obcecado pela classificação. Mas confesso que fiquei surpreendido com a minha classificação…

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Pedro Alves

Pedro Alves

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