Trail do Lidador by Night: guerreiros e guerreiras iluminaram a terra de Gonçalo Mendes da Maia

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Uma trail no período da Páscoa? Foi o que aconteceu na Maia, concretamente com a primeira edição do Trail do Lidador by Night. Diogo João foi uma das estrelas do evento e conta a sua experiência para os leitores do CORREDORES ANÓNIMOS.

 

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No passado sábado realizou-se na cidade da Maia, mais concretamente no Parque Urbano do Avioso, o I Trail do Lidador by Night. Dado o sucesso da edição diurna (efetuada no mês de outubro do passado ano), a Confraria Trotamontes, como organizadora do evento, não teve dúvidas em avançar com uma versão noturna da prova.

E em boa hora o fez, pois uma vez mais ficou comprovado que a qualidade e competência na arte de bem organizar eventos na Natureza está ao alcance daqueles que o sabem fazer, sejam eles efetuados de dia ou de noite.

Dado o panorama atual das provas de Trail (cada vez existem mais, embora sinal de quantidade não signifique qualidade), e da dificuldade que isso cria em calendarizar-se uma data a preceito para que não haja um “conflito de interesses” com outras provas, o dia escolhido não podia ter sido tão perfeito como o foi o do passado fim-de-semana.

Após uma manhã a puxar o calor e uma tarde resplandecente a convidar uma ida à praia, a noite apresentou-se perfeita para receber todos aqueles que quiseram marcar presença neste Trail denominado como um Trail de Estrelas

E como foi bonito de se ver o brilho das estrelas no céu e o brilho de uma Lua Cheia que abrilhantou, e de que maneira, todo o cenário já de si encantador. A Lua funcionou como uma simbiose perfeita entre a constelação de estrelas que brilhavam no céu e aquelas que iriam brilhar na Terra.

Mas antes quem brilhou foram as Estrelas de um passado recente do Desporto Nacional, que ainda hoje permanecem bem cintilantes na memória de alguns. De facto, e num gesto que serve de exemplo às várias entidades locais, municipais ou estaduais, o Grão Mestre José Moutinho resolveu homenagear uma série de atletas que brilharam ao mais alto nível nos anos 80 e 90, sendo que grande parte deles foram atletas olímpicos… Uma iniciativa simplesmente brilhante! E o enorme aplauso que receberam no fim, quando todos posaram para a foto, foi um mero e humilde ato de reconhecimento de todos aqueles que, como eu, presenciaram tamanho momento em claro sinal de respeito e admiração por tudo aquilo que conseguiram fazer em prol do desporto. E neste caso do Trail, pois muitos de nós não imaginava correr em montanha naquela altura e aquelas Estrelas já o faziam! A todos eles, o meu muito obrigado!

Findo este momento merecido e bonito, iria então ser dada a partida para a prova em si. Seriam 18 kms de puro entretenimento, muita aventura e adrenalina! É que, queiramos ou não, correr à noite é sempre diferente e especial! Após um breve “briefing” daquilo que nos esperava ao longo do percurso, a partida é dada e como sempre a grande velocidade!!!

Os frontais apontavam em direção aos refletores e estes “apenas” nos tinham de iluminar o caminho a seguir! Após uma breve volta pelo interior do parque, saímos do mesmo e fomos numa cavalgada galopante em direção aos trilhos que nos iriam proporcionar um percurso muito interessante e com alguma variedade! A qualidade estava lá e foi o início de um “zig zag” (ou de um “serpenteado”) à volta de um “carrocel” que são as matas de São Pedro do Avioso!

O percurso contemplou-nos de tudo um pouco: zonas técnicas, subidas curtas mas intensas, descidas onde todo o cuidado é pouco e zonas rolantes. Senti com todo este cenário uma descontração e uma sensação boa em correr e lá fui trilho fora, a apreciar todo o encanto que a noite estava a proporcionar. E estive sempre acompanhado nesta aventura, pois das vezes em que não sentia uma alma humana ao meu lado, tinha a companhia das estrelas e de um luar sublime, que me iluminava ainda mais o trilho a ser seguido. Algumas foram as vezes que olhei para a Lua, como se de uma bela mulher se tratasse… Era quase como a Estrela Polar a indicar o Norte.

Numa primeira parte da prova (até ao local do abastecimento) e dadas as características do percurso, o ritmo foi forte e intenso, sendo que, na segunda parte, esse mesmo ritmo foi mais suave dado ao acréscimo das dificuldades e ao cansaço que entretanto se sobrepôs e que me levou também a ver o chão e as estrelas ao mesmo tempo, pois o tropeçar numa pedra fez-me tombar e ficar durante cerca de um quilómetro com uma dor insuportável num pé, ao ponto de imaginar que a prova se iria concluir ali…

Mas é nestas alturas que tem de vir ao de cima o nosso espírito de sacrifício, de luta, de vontade e de superação e foi isso que fiz. O caminho era em frente e tinha de continuar a “trilhar”! É que uma aventura só pode ser contada se tiver um fim e, neste caso, não seria justo ficar a meio dela e não contar por exemplo a passagem pelo Monte Castro de Alvarelhos, onde se situa uma Citânia Romana (que muitos não viram por ser de noite), ou a passagem pela “moutinhada” habitual que é sempre contemplada nas provas traçadas por este “traça-dor” de natureza genuína!

Até ao fim ainda houve tempo de saltar uma “cerca” em forma de portão, fazer mais uma ou outra subida, contemplada depois com a natural descida, e um novo “zig-zag” antes da entrada final no parque, que nos levaria até à meta.

Em jeito de conclusão, mais uma vez assistimos a uma prova exemplar, onde nada falhou e onde toda a gente se divertiu. Marcações exemplares (diria até, que estava demasiadamente bem marcada), colocação de elementos do staff em locais estratégicos, abastecimento perfeito, tudo muito bem aproveitado. E isto só se consegue com muito trabalho e sacrifício por parte da organização.

E uma vez mais foi feito um Trail de laboratório, como já foi dito no passado pelo Grão Mestre… Este método “científico” começa a dar que falar e é prova assente que é possível fazer um trail em qualquer lado…

Uma palavra também para Gonçalo Mendes da Maia, um maiato de gema, que, no seu tempo, foi co-designado como “O Lidador”, nome que se dá a esta prova… Estará certamente este comandante dos tempos de D. Afonso Henriques orgulhoso pelo feito de todos estes “guerreiros e guerreiras” terem iluminado por uma noite a sua terra e a sua cidade!

Da minha parte todos merecem os meus sinceros parabéns, desde os vencedores das diferentes categorias aos demais participantes! Afinal, trail é mesmo isto: todos somos iguais, todos partilhamos o mesmo gosto, o mesmo trilho, independentemente do tempo que se leva a concluir uma prova. Aqui não há diferenciação entre elites e os demais! “Merci Monsieur” Francois D`Haene pela brilhante atitude que teve há bem pouco tempo em relação a este tema!

Como curiosidade, aqui ficam os meus registos:

Trail Terras do Lidador By Night – 18 kms/ 600 D+ /303 Participantes

Tempo: 1h48m39
Classificação Gera: 21.º
Classificação de Escalão: 13.º

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Pedro Alves

Pedro Alves

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