Terminar uma Maratona atrás de uma senhora nascida nos anos 50 ou de um senhor com porte pouco atlético e barriga pronunciada

Nuno Gomes terminou a sua segunda Maratona na carreira, em Sevilha. No entanto, longe do seu objetivo, devido a uma lesão. Hoje e nos próximos dois dias podemos acompanhar a sua saga, que começou em outubro de 2017…

 

A Maratona, a sério?

Alguns tópicos de uma história de (in)sucesso

Voltei a não ganhar, desta vez em Sevilha…

Estava preparado para a eventualidade de chegar depois dos quenianos, mas não de uma senhora nascida nos anos 50 ou de um senhor com porte pouco atlético e barriga pronunciada. É curioso como, por muitos planos que façamos, a vida nos obriga quase sempre a reformular. Não pretendo com isto dizer que não é importante planificar, antes pelo contrário, acho fundamental. Como também o é, perceber que um plano não passa de um plano e que certas circunstâncias podem obrigar a sucessivas adaptações. Um dos grandes problemas de corredores amadores que treinam quase como profissionais é a falta de tempo que dedicam à recuperação e ao reforço muscular. Tenho perfeita noção de que quem só corre, aumenta muito a probabilidade de sofrer lesões. Ainda assim, e mesmo sabendo, arriscamos…

15 de outubro de 2017 – O PRIMEIRO TREINO

Estava na linha de partida para a Maratona de Lisboa. Não estava planeado nem minimamente preparado, mas não tinha conseguido rejeitar um convite feito três semanas antes. Fui, portanto, sem treino específico, mas com vontade de fazer o melhor e aprender o mais possível.

Assim foi! Cometi, quase propositadamente, todos os erros possíveis, aprendi imenso. Vi o “muro” muito antes dos 32 e senti quase tudo o que tinha lido e ouvido sobre a Maratona, menos a glória de uma vitória, fosse ela qual fosse.

Acabar não foi suficiente.

16 de outubro de 2017 – OS TREINOS

Prescritos pelo André Castro, tinham o propósito de me tornar tão rápido.

9 de dezembro de 2017 – TRAIL ABRANTES 100

Eu, o André, o Daniel Simões e o Pedro Gonçalves vencemos a prova na versão estafetas de 4x25km. Foi uma experiência brutal correr numa equipa composta só por amigos, mas com um espírito competitivo tremendo. A concorrência era muito forte e, ainda assim, chegámos primeiro à meta. Foi inesquecível, brindamos à Vida.

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17 de dezembro de 2017 – 9 KM DA SÃO SILVESTRE DE CONSTÂNCIA

Numa tarde de muito frio, parti demasiado rápido. Perto do terceiro km senti uma picada nos isquiotibiais da perna direita, que não foi suficiente para me deter. Continuei até ao fim, voltei a sentir a picada nos últimos metros…

Estava lesionado, mas ainda não convencido. Não queria abrandar nos treinos e, na semana seguinte, já corria quase normalmente. Incrementei a bicicleta e voltei à piscina.

30 de dezembro de 2017 – SÃO SILVESTRE DO PORTO

Fui com o André. Uma corrida com grande significado para ambos e, por isso, era importante estarmos os dois juntos na linha de partida. E estivemos. Foi alucinante correr com aquela gente toda, na minha cidade. O André marcou o seu regresso à velocidade e eu não só confirmei a lesão como a agravei consideravelmente. Terminei por teimosia, mas agora já não conseguia correr, nem andar normalmente… Nadava e pedalava para tentar não perder a forma, mas sentia que me estava a afastar cada vez mais da ideia das 3h00 em Sevilha.

 

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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