O que acontece quando os nossos ténis rasgam no MIUT?

Após a “deceção” de 2016 e a preparação para este ano, finalmente Filipe Custódio começa o MIUT 2017, a prova rainha do Ultra Trail nacional. O madeirense rasgou o seu ténis durante o percurso e foi obrigado a correr com uma sapatilha remendada…

 

Lá se deu início a mais uma aventura pelas 00h00. Estava uma noite perfeita, com temperatura amena e céu completamente estrelado, sem indícios de chuva. Logo nos primeiros quilómetros já dava para perceber o que teríamos: dureza extrema…. Aqueles 300D+ nos primeiros dois, três quilómetros marcam de imediato a prova.

Comecei com um ritmo muito calmo. Cada vez que olhava para o lado via um atleta diferente e de diferente nacionalidade. Os primeiros quilómetros correram como previsto. Mais à frente, começava a descida para a Ribeira da Janela, uma das passagens com mais magia em toda a prova. É fantástico o ambiente que se vive nesta passagem, toda a gente do público a esticar os braços a solicitarem um «Hi 5» aos atletas. A sensação é de que somos uns heróis…

A chegada ao CP1 Fanal foi tranquila. Sem muitas demoras segui, mas não esperava o que vinha a seguir: na descida para o CP2 Chão da Ribeira, ao colocar o pé num buraco, rasgo a sapatilha ao puxar, concretamente na parte da frente, de uma ponta à outra. O ténis ficou preso pelas pontas e, conforme corria, o pé saía fora. Chegado ao abastecimento tentaram fazer um “curativo” a sapatilha, mas, passados alguns quilómetros, já tinha perdido o adesivo que tinha sido colocado.

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Continuei com algumas dificuldades até ao CP3, mas chegado lá já não era só a sapatilha que me preocupava, mas também o não estar a conseguir comer. Após insistência da minha mulher, que me estava a dar assistência, lá consegui ingerir algo. Quanto a sapatilha, não estava fácil resolver porque apenas tinha solução no CP6 Curral das Freiras. Até que apareceu o amigo Augusto Fontes, que estava a dar assistência aos seus atletas, e deu-me as sapatilhas dele para eu poder continuar em prova.

Curral das Freiras (parte #2)

Publicado por Filipe Custodio em Sábado, 22 de Abril de 2017

Troquei de sapatilhas e lá voltei a prova. Apenas me preocupava a alimentação, que não estava a ser o que esperava e o que tinha sido treinado.

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Há dias em que tudo acontece ao contrário. Sentia-me fisicamente bem, mas apenas conseguia ingerir líquidos. Nos abastecimentos era onde conseguia comer algo mais, dado pela minha mulher. A partir do CP5 começava o calor e já dava sinais de cansaço após a noite de prova. No CP6, hora de descansar um pouco mais, uma vez que já tinha metade da prova feita.

O MIUT atravessa praticamente a Madeira de uma ponta a outra
Pedro Alves

Pedro Alves