Como João Laranjeiro sobreviveu a Maratona do Rio de Janeiro

Na Maratona do Rio de Janeiro, João Laranjeiro conseguiu derrotar a mente e, num momento de frustração, deu a volta por cima, encontrando forças para continuar a prova, que considera a mais difícil que correu (participou nas maratonas de Chicago, Berlim, Paris, Amesterdão, Santiago do Chile e Lisboa).

 

 

Continuei e tentei manter um pace mais lento, mas constante. Chegámos a Praia de São Conrado e seguimos pela Avenida Niemeyer, passando pela comunidade do Vidigal, que fica no Morro Dois Irmãos, até chegarmos à Praia do Leblon. A partir deste momento comecei a ver vários corredores a pararem com cãibras.

Substancialmente, o público aumentou na praia do Leblon. A verdade é que dá outro ânimo quando vozes e rostos desconhecidos te dão apoio sem te conhecerem. O simples fato de estenderam as mãos para batermos nelas nos dá uma dose extra de energia. Atravessámos o Leblon e chegámos a Ipanema, berço da Bossa Nova. Nesse momento eu alternava entre andar e correr e tive a companhia do Cleiton, colega da equipe Quark (com quem treino), que abdicou de parte da sua prova para seguir comigo. Essa solidariedade entre corredores é algo que não se explica mas que se sente em qualquer prova que façamos por esse mundo fora.

Passámos pelo forte de Copacabana e entrámos nesse bairro, quiçá o mais famoso do Rio de Janeiro. O público aumentava, mas infelizmente a  temperatura também. O Sol batia forte na cabeça e comecei a sentir cãibras no posterior da coxa e nos gémeos. Estava difícil mas conseguia continuar.

No km 37 chegámos à Avenida Princesa Isabel, via que marca o fim de Copacabana e chega no túnel que coneta ao bairro de Botafogo. Aqui os amigos começaram a aparecer. Muitos tinham corrido a Meia-maratona e decidiram ficar para apoiar quem estava a fazer os 42 km. Como é bom ver rostos amigos, falando o teu nome, te dando ânimo, te fazendo acreditar que agora faltava pouco e que o pior já tinha passado.

 

LEIA TAMBÉM
A Maratona do Rio de Janeiro derrotou o homem João Laranjeiro?

 

Faltavam 5 km apenas e teria a companhia do Pão de Açúcar, que, lá do alto, observava esses últimos quilómetros. Chegámos ao Aterro do Flamengo, faltavam 3 km, depois 2 km e, de repente, entro no último km. O público gritava, te apoiava, os amigos diziam “vai João” e, nesse momento, não sei de onde vieram todas as forças extra, mas aumentei a passada, desenrolei a bandeira de Portugal (que me acompanha em todas as provas) e festejei bastante na chegada.

Tinha terminado a minha sétima Maratona, a mais difícil de todas (sofri com a temperatura, pois gosto de correr em temperaturas mais baixas), mas tendo novas histórias para contar e saindo mais forte do que nunca. O resultado final foi de longe o meu pior, mas talvez tenha sido aquele onde mais me desafiei e onde tive forças mentais para não desistir.

Se pudesse definir esta Maratona em uma música, ela seria “Rio 40°”, da Fernanda Abreu:

“Rio 40 graus, Cidade Maravilhosa, purgatório da beleza e do caos…»

Chicago, Berlim, Paris, Amesterdão, Santiago do Chile, Lisboa e agora Rio de Janeiro. Sete corridas, sete experiências diferentes, sete lições de vida, sete capítulos de uma História que terá muitos mais pela frente.

E agora que venha Nova Iorque, o oitavo capítulo…

O objeto de meses de dedicação
Gostaste do artigo? Faz Gosto ou Partilha com os teus amigos!
Pedro Alves

Pedro Alves

Gostou? Partilhe pelos amigos