Telemóvel foi fundamental para Rui Martins correr as 48 horas da Run to Max 48

Após estar na quinta posição após o descanso de uma hora, Rui Martins voltou com o intuito de recuperar lugares na Run to Max 48, prova que tem a duração de 48 horas. No entanto, devido a uma provável microruptura, a desistência esteve muito próxima, o que não ocorreu devido a… um telemóvel.

 

Voltei à estrada e senti-me muito mais recuperado e com força. Corri para ganhar posições e recuperei o 4.º lugar. No entanto, foi nessa altura que quase deitei tudo a perder. Com a vontade de voltar a subir na classificação, corri muito rápido nas descidas e subidas, o que me fez ter uma picada muito forte na coxa direita. As dores eram muitas e intensas, só conseguia andar e, mesmo assim, as dores eram horríveis ao ponto de virem as lágrimas aos olhos, não só por aquilo que estava a passar mas também pela desilusão.

Perto das 25 horas de corrida, Rui Martins voltou a dormir mais uma "horinha" na Run to Max 48
Perto das 25 horas de corrida, Rui Martins voltou a dormir mais uma “horinha” na Run to Max 48

Tive de ir aos paramédicos, que me disseram que era melhor parar porque suspeitavam que era uma microruptura e que iria piorar caso continuasse. A minha resposta foi muito rápida e conclusiva: «Não vim de Portugal para desistir!» O nosso amigo inglês, que nos tinha acompanhado no percurso, fez essa volta comigo e incentivou-me a não desistir. Chamou-me de guerreiro e que estava muito bem.

Telemóvel “salva” Rui Martins 

Entretanto, procurei arranjar uma maneira de me motivar e o jeito foi o telemóvel e ler os comentários, ver vídeos de amigos e, o mais importante, fazer uma vídeo-chamada com a minha mulher e filhos. Cada vez que falava com eles, as dores desapareciam. A minha perna estava ligada, apertada e a forma que arranjei de voltar a correr era nas subidas. Só consegui correr nas subidas; nas descidas e nas travagens, voltavam as dores…

Consegui manter o quarto lugar, enquanto o número de voltas que tinha de desvantagem sobre a segunda classificada manteve-se, o que era positivo, já que estava à espera que eles fossem descansar. Um dos elementos da minha equipa, o Luís Melato, dizia: «Mais cedo ou mais tarde eles vão para a cama e é aí que apertas».

Foi o que fiz… Fui subindo na classificação até ficar na terceira posição, ficando só a duas voltas do segundo lugar. Foi nesse momento que decidi fazer a segunda pausa de 1 hora, com mais ou menos 25 horas de prova.

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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